Gente na primavera da vida

Essa semana se comemorou o Dia do Biólogo, mais precisamente dia 3 de setembro. E tem tudo a ver. O mês que comemora a chegada da primavera também comemora a profissão que existe para preservar a vida. Êta profissãozinha daquelas que dá gosto a gente chamar de bonita. Sabe? Aquelas moças sem maquiagem, aqueles rapazes com cara de anjos, vestidos com camisetas sempre trazendo mensagens do bem, cuidando de animais, pesquisando hábitos de espécies em extinção. Não é idealização, não. Eles vivem para se dedicar à vida.

Passo horas, quando posso, assistindo a documentários e programas de televisão cujos principais protagonistas são os biólogos. Eles têm um brilho diferente nos olhos e um jeito especial de fazer a gente refletir sobre o quanto contribuímos, ou não, para a agonia de nosso planeta e de nossos ecossistemas. Segundo informações veiculadas esta semana, o mercado de trabalho vem crescendo com a ampliação das pesquisas em genética e biotecnologia. Que bom!

Os campos de atuação dos biólogos são os centros e laboratórios de pesquisas, as instituições médico-hospitalares, as universidades e as instituições científicas e de pesquisa. Eles também podem assessorar a elaboração de relatórios técnico-científicos. Atualmente, como os organismos de pesquisa ainda são parcos no país, cerca de 80% se dirigem para a licenciatura, ou seja, optam por ganhar a vida como professores.

E eles comemoram trabalhando. No Rio de Janeiro, por exemplo, os biólogos organizaram sua data na Cinelândia, apresentando projetos de preservação do meio ambiente e alternativas de combate a dengue. Agem e pensam como bem definiu o Dr. Geraldo Mendes dos Santos, pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia - INPA: “o mundo físico, biológico e psico-social funciona de modo sistêmico e integrado, havendo necessidade de uma atuação conjunta e constante em prol da cidadania, da ética e do equilíbrio ecológico”.

Em 3 de setembro de 1979, depois de longa batalha em busca de organização e fortalecimento da profissão, os biólogos brasileiros conseguiram que o então presidente da República, general João Baptista de Figueiredo, sancionasse a Lei nº 6.684/79, que regulamentou a profissão de Biólogo e criou o Conselho Federal de Biologia e os Conselhos Regionais de Biologia. Daí a data nacional em homenagem a eles e elas é claro.

São 20 mil profissionais registrados em todo o Brasil e a cada ano mais 3 mil desembocam no mercado. Há poucos concursos públicos e as melhores oportunidades de trabalho estão na indústria farmacêutica, na rede hospitalar e em organizações de defesa do meio ambiente. Mas, com a crescente preocupação de governos e da sociedade com os problemas ecológicos, os biólogos estão ganhando terreno em campos de trabalho como recuperação de áreas degradadas e na elaboração de relatórios de impacto ambiental, aqueles documentos necessários para assegurar que obras de grande porte não irão ou irão causar prejuízos ao meio ambiente.

Aí vem a parte “(in) sustentável”. A remuneração média de um biólogo varia entre R$ 1.500 e R$ 3.000, dependendo da instituição e da região onde ele trabalha. Professores universitários podem ganhar entre R$ 3.200 e R$ 4.860, variando de acordo com a titulação e gratificações. Já os pesquisadores, injustiça das mais gritantes, ganham entre R$ 800 e R$ 1.100. A nata da profissão está entre os renomados, que chegam a ganhar R$ 200 por hora trabalhada na elaboração de relatórios de impacto ambiental e outras consultorias do gênero. Isso dá uma média de R$ 10.000 a R$ 15.000 por trabalho.

Desço, ou subo, a esse nível de informação até para dar uma incentivada na nossa juventude, que está em busca de definições para o vestibular. Uma coisa é certa, essa é uma profissão que tem futuro. Pode caminhar para melhor e maior reconhecimento, inclusive com salários mais justos, além do que, estamos no meio da Amazônia e a vocação de nossa terra deve ser sua preservação. Precisamos de profissionais que possam assumir, num futuro próximo, as tarefas de proteção e recuperação de nosso bem mais precioso, a vida que pulsa em nossas florestas, no leito de nossos rios e no coração de nossas cidades.

Márcia Corrêa
05.09.03