A ESTRANHA “CRISE” DA DIFUSORA

Intrigado pelas noticias que envolvem a velha Rádio Difusora de Macapá, no centro o mano Ronaldo Picanço, seu atual diretor, fui buscar junto ao mesmo, como manda o bom jornalismo, a sua versão para os fatos que vem servindo de combustão a uma possível “fritura”, para usar um jargão do meio. Pelo mano e por ser a busca da verdade um dever cívico do jornalista e matéria prima do bom jornalismo e indispensáveis a conquista da clientela e do índice de comparecimento dos leitores.

Quem quiser fique à vontade para alegar a parcialidade dessa nota, como é o hábito das pessoas do meio, escravas do maniqueísmo que assola e apequena esse pobre Estado. Não me causa qualquer constrangimento. Sou movido por algumas razões: em primeiro por conhecer o caráter do irmão, criado sob rígidos princípios da ética e da moralidade, ensinados por duas figuras exemplares, nossos pais. Depois por conhecer também a formação e a competência profissional de Ronaldo e o seu compromisso sincero com o Amapá, que consideramos, com muito orgulho, o nosso berço natal..

A crise da Rádio Difusora de Macapá não pode nem deve ser simplificada ou banalizada pelo fato de Ronaldo ter sido, supostamente, indicado por J.Ney. A quem, aliás, contrariando qualquer argumento, não se pode negar cabedal para tanto, num Estado onde vicejam, ao contrário, tantas outras indicações absurdas e incompetentes, inspiradas por interesses subalternos e lesivas ao Estado.

O radialista, afinal, sempre trabalhou duro, de sol a sol, para merecer. A exemplo da primeira eleição do ex-Governador João Alberto Capiberibe, o radialista exerceu papel relevante na eleição de Waldez Góes ao governo, como é direito de qualquer cidadão, seja por suas convicções políticas, seja por deter, indeléveis, suas legítimas prerrogativas constitucionais .Só que desta feita o governo que ajudou eleger o escuta, lhe apóia, reconhece e prestigia.

Por isso não se discute aqui a defesa intransigente que faz do atual governo, papel que em qualquer momento da vida pública amapaense, qualquer que seja o governo, alguém se ocupa em faze-lo com zêlo e devoção. Infelizmente este ainda é um traço ruim e pernóstico da imprensa do Amapá, alimentado pelos próprio Governo. Aqui, com as exceções de praxe, o compromisso da mídia passa ao largo do interesse da sociedade. A imprensa serve aos senhores, seja os situados no poder ou aqueles que vão chegar ao poder. Tem sido assim, é assim e assim vai continuar por muito tempo.

A tentativa de colocá-lo na órbita de alguém, inclusive de J.Ney seu irmão mais velho, é maldosa e injusta para com a sua biografia e qualificação. Ronaldo tem régua e compasso. Sabe o que quer e o que faz. Joga o jogo aberto e democrático para defender o interesse maior da organização e do Estado. Ao contrário dos seus desafetos, manipulados, arreiados, que sentem falta da “velha” Difusora, sem lenço ou documento, casa de mãe Joana, entregue as sandices da turma da graxa e do baixo clero.

Esse é o desenho da tal “crise da Radio Difusora de Macapá”, como já foi rotulada, cujo objetivo é impedir ou atrapalhar o trabalho que lá se desenvolve no sentido de resgatar o verdadeiro papel do órgão de comunicação, sustentado pelo erário público, há muito tempo servindo interesses pessoais de governantes e ao mau jornalismo.

A profissionalização da informação, da programação e do órgão como um todo, é um sonho acalentado por quantos entendem que o dinheiro público não pode ser usado, de forma disfarçada, para veiculação de propaganda pessoal de qualquer membro do governo, inclusive do Governador, como sempre ocorreu naquele órgão, em todos os governos. Ou de políticos espertalhões, parasitas e seus programas camuflados, de discutível valor cultural, que de graça usam as ondas da cinqüentenário Difusora para espalhar, pelo interior do Estado, seus tentáculos eleitoreiros.

O que existe, na realidade, é a clássica reação do velho contra o novo, do progresso contra o atraso, da ciência contra o charlatanismo. Da cultura contra a barbárie. Batalha deflagrada por uma facção menor, mas barulhenta do governo, acobertada pelo manto do PDT, como é o caso específico de José Amoras, que gostaria de ver aquele órgão, hoje organizado e funcionando no cumprimento de suas funções constitucionais, transformado na babel de sempre, a começar pela imundície física do prédio que terminava na indigência moral e intelectual de sua programação.

São essas forças do atraso que querem manter o órgão sem comando, sem cabeça, disponível a manipulação de interesses menores, que se debatem contra as mudanças operadas, criando falsas crises na expectativa de desestabilizar as ações inovadoras que busca modernizar a instituição e faze-la cumprir o seu correto papel. Essa “crise” é tão antiga quanto o mundo, e que custou ao homem, em alguns lugares, séculos de atraso. Quebrar paradigmas não é tarefa fácil, nem pra qualquer um.