O QUE É QUE O PARÁ TEM

Sempre que vou a Belém fico encantado com o que vejo. É flagrante que a dupla Almir Gabriel e Edmilson Rodrigues estabeleceu um divisor de águas na vida do vizinho estado. Existe um Pará anterior e posterior a assunção da dupla ,como pode ser constatado a olho desarmado.

Como sempre, quem mora fora tem uma percepção mais apurada e melhor do fenômeno.Toda vez que se visita aquele estado percebe-se mudanças que nem sempre são visíveis aos olhos acostumados do sempre ver, comuns a quem vive na cidade e no estado, absorvidos pelo cotidiano e pelo vai e vem do dia a dia.

Mesmo assim sente-se na apreciação do paraense, do povo nativo do lugar, e mesmo daqueles que adotaram o Estado como lugar para viver, um certo orgulho e reconhecimento pelas mudanças produzidas ali e acolá, que colocam a cidade das mangueiras na vanguarda da Amazônia, sem dúvida.

É impossível não se ver.Até porque as obras são exuberantes como o complexo turístico da Estação das Docas, do Museu de Arte Sacra, da Casa das Onze Janelas no largo das Mercês ou mesmo o Museu do Minério, uma obra exponencial que transformou o mórbido Presídio São José num espaço digno de todos os elogios, mérito de arquitetos e paisagistas que projetam para o futuro com os olhos voltados para o passado e para as raízes marajoaras,uma mistura fantasticamente bela.

Penso que esta questão está ligada a um sentimento de responsabilidade e amor pela terra.O Pará , ao que se sabe , pertence ao seu povo, que ama suas coisas, suas tradições, e não tem vergonha nem medo de exibir-se.A elite que governa o Pará, ao longo dos séculos, foi forjada nas suas entranhas e com ele tem uma ligação absolutamente carnal como deve ser.Como dizem os poetas, coisa de pele.

Gostaria muito que isso ocorresse aqui.Mas ainda falta bastante.O Amapá, infelizmente, ainda não atingiu este estágio de maturidade, identidade e responsabilidade.Não sei qual geração resgatará este compromisso, e talvez esta seja a questão.O Pará é uma civilização beirando os quatrocentos anos.Há muito ainda o que se apreender por aqui, apesar das conquistas das sociedades no campo da ética e da moralidade na gestão da coisa pública .

 

O DILEMA DO SENADOR

Juro que não é nada pessoal.Minha mãe Tunica era uma pessoa sábia.Entre tantas coisas nos ensinava que não era possível se servir a dois senhores.Reproduzo isto em razão do recente episódio do corte de recursos da BR 156 - em torno de 18 milhões de reais , que apanhou o Senador José Sarney de calças na mão enquanto , em cortejo , promovia seus concorridos rega bofes e sessões de beija-mão, em meio a classe política, pelos quatro cantos do Estado, com os olhos voltados para a sua reeleição em 2006.Ao que sabe Sarney voltou atrás, desistiu de ser só escritor de histórias do mar, como prometera.Descobriu que precisa aplainar o caminho da filha Roseana rumo ao Planalto, e para isso precisa de mais um mandato do generoso povo do Amapá.Mas esta é outra história, envolta em uma densa cortina de fumaça, salamaleques ,paixões repentinas, juras de amor e promessas intencionalmente eleitoreiras.

O problema é que parte desses recursos, remanejados e não contingenciados, foram desviados para o lado nobre do coração do Senador, o Maranhão , igualmente destinados a obras rodoviárias.E para lhe deixar mais embaraçado coube a desafetos políticos seus, o casal Capiberibe,a tarefa de denunciar a pungada e desfazer o nó, conforme divulgado em restrito espaço editorial. Aos amigos o Senador alegou desconhecer assunto.No mínimo estranho para uma homem de sua envergadura e posição política.É o mesmo que alguém sumir com um elefante bicho de sua sala de visita sem que ninguém veja. E , pra não perder a majestade, disse que reverteria a situação.O que não se sabe é o que dirá no Maranhão.

 

ENQUANTO ISSO....

Vejo material de obras entulhados ao redor da Praça Floriano Peixoto que deve entrar novamente em reforma.Logo ela que acabou de sair de uma.Eu só queria entender como é que funciona isso, qual a lógica ou critério que leva uma autoridade optar por realizar essa ou aquela obra.Enquanto isso, se você olhar direitinho, nem bem acabou a limpeza do Perpetuo Socorro e já começa a sujeira a tomar conta do bairro.E todo mundo sabe que isso vai ocorrer sempre enquanto as obras necessárias, de saneamento e urbanização não forem feitas.

 

SINTOMAS DO PODER

O que está acontecendo com o PDT não é de se estranhar.Nada de novo. Sempre que um partido ascende ao poder duas coisas invariavelmente acontecem : a primeira é o seu inchaço.Sem critérios razoavelmente sérios as filiações se sucedem por conta de “estar no poder” e da possibilidade de emprego novo.Facilmente adquire aquilo que o PSB , quando no governo , dizia ter: ossatura e musculatura.Em outras palavras: grande e forte , muitas vezes maior que o próprio governo.Nada , no entanto, capaz de resistir uma mudança ou transferência de poder, como a historia mostrou à antiga Arena, PDS, PFL,PMDB que tiveram experiências anteriores e foram igualmente grandes e fortes.A segunda coisa é muita confusão, brigas internas, rasteiras, traições e disputa de poder.

O certo é que Waldez mal chegou ao Setentrião e já tem gente de olho na sua cadeira.E não são os adversários naturais .Companheiros e aliados ( mal ) considerados sinceros.Esta é uma briga que vai render bastante.Uma autoridade palaciana concorda comigo: querem quebrar a espinha dorsal do PDT e em conseqüência do Governo.A liderança do Governador no PDT é difícil de ser questionada.Ela é legitima e foi construída em vários anos de efetiva militância, tarefa que dividiu com outros companheiros ,dentre eles ressalta-se Sebastião Rocha ,Gervásio Oliveira,Keka Cantuária e Vitória Chagas.

Os governos entre muitos equívocos costumam a cometer um que tem sido fatal: construir o poder sem o concurso de amigos leais e de parcerias sinceras e confiáveis .A sedução pelas novas amizades e avaliações desastradas de alianças e parcerias políticas, tem levado muitos projetos de poder ao esvaziamento e ao insucesso.Daí que esta é uma situação que já pode estar se refletindo no alvorecer de um governo que tem projeto de sobreviver , no mínimo, oito anos, e que já está merecendo correções.