PRIMOROSO E IRRETOCÁVEL

Adjetivos que bem traduzem e qualificam o artigo de J.Silva intitulado UMA QUESTÃO DE RESPEITO , que poderia ser FALTA DE GRATIDÃO, veiculado nesta página , em que traça com absoluta fidelidade a bronca dos amapaenses com o desempenho do político J. Sarney.

Correto,ético, lúcido e cortês, colocou com precisão ao público aquilo que muito se sussurra pelas alcovas.Sem nenhum reparo, apesar da compreensível e esperada reação do Senador - desacostumado a esse tipo de critica, em um programa de rádio , como que em resposta as teses defendidas pelo jornalista.

Tentativa em vão já que nada de novo acrescentou ao debate , a não ser expressar, de viva voz, a bizarra e pequeníssima idéia de que sua performance na câmara alta do país depende do Governador de plantão e de sua relação pessoal com ele.Revelação que merece um veemente protesto, sem dúvida

O Senador, qualquer que seja ele, serve ao seu Estado e ao País.E por esta razão deve se colocar acima dos governos e governadores.E quem sou eu pra ensinar tão prosaica verdade a um ex-Presidente da República e estadista feito José Sarney? É que atitudes como essas soam absurdas, mais ainda quando são da lavra de uma figura da estatura do senador quando pretende imputar à sua incompatibilidade com o governador Capiberibe a ausência de grandes projetos para o Amapá.

Isto só reduz a discussão a uma condição inaceitável, perfilando o senador ao pensamento menor dominante na classe política brasileira e em especial a do Amapá , que faz da vingança pessoal instrumento de luta política que só faz deseducar e desconstruir o já precário processo de desenvolvimento do Estado.

Removido aquilo que considerou um empecilho aos seus 14 anos de senatoria pelo nosso Estado, empossado Waldez Góes no governo , cujo estilo pacificador e harmonizador é elogiado e reconhecido por todos - mesmo não tendo recebido o seu apoio nas eleições , bem poderia o senador começar um trabalho de recuperação de imagem trazendo bons projetos para o Estado, usando o seu imenso poder e aquela força ( que sabemos ter ) , que na campanha eleitoral , por duas vezes , dizia que daria ao Amapá caso chegasse no Senado da República.

Pedir a tal refinaria de petróleo para cá , ao invés do Maranhão - sugestivo de um bom recomeço soaria, sem dúvida, uma provocação.Há , ao lado das questões políticas , boas razões de ordem técnica e logística a favor do Estado natural do senador , se comparado ao Amapá. Como há também muita coisa que poderia e deveria ser feita para tirar o Estado desse estágio indigente da tal economia do contra-cheque de que falou o jornalista em seu bem argumentado artigo e o Senador sabe o caminho, independente da posição que venha ter qualquer um, inclusive o Senador Capiberibe, hoje seu colega de Senado.

CRÉDITO AO JOÃO

Penso que o Prefeito João Henrique, apesar de seus tropeços políticos, é uma pessoa bem intencionada e como qualquer filho dessa terra quer o melhor pra ela, muito mais quando se nasce nos arredores do Formigueiro, um dos marcos da civilização macapaense.

Por isso quero creditar ao João Henrique, bom engenheiro, sinceridade nas suas atitudes e palavras quando se refere aos problemas da cidade e das dificuldades para administrá-la, notadamente pela escassez de recursos.

Mas acho também que falta um pouco mais de comprometimento, planejamento , criatividade e sensibilidade a sua gestão. Mais do que tudo isto, sem dúvida, falta-lhe assessoramento qualificado.São muitos os problemas da cidade, sem dúvida, mas a maioria deles , de simplicidade franciscana, são inconcebíveis se eternizar à vista do contribuinte.

Já falamos da falta de urbanização do Perpetuo Socorro, submetido há anos aos tais mutirões, sendo que por muito pouco, esses problemas poderiam ser resolvidos de vez.O projeto da orla do Santa Inêz, sinceramente, depõem contra a criatividade.Uma área privilegiada desperdiçada com um número exagerado de quiosques, bares provavelmente, que trarão mais problemas que solução.

Não há projeto paisagístico em nenhum deles.A Zagury foi fechada quase um ano e não se resolveu dois problemas cruciais: a falta de abrigo para época de chuvas, nem se dotou o local de um ajardinamento que quebrasse a sua aridez e nem lembrasse que somos parte dessa exuberante e verde Amazônia.

E por aí vai.Ao invés de se criar jardins nos canteiros centrais da Claudomiro de Morais permite-se plantar perigosos postos de gasolina.Aliás para aquele imenso vazio, criativo seria buscar parceria com a iniciativa privada para construção de bares, lanchonetes, revistarias, cafés, sorveterias , lojas de conveniências, etc , mediante projeto arquitetônico concebido com criatividade, permitindo ao bairro uma cara nova sem que o erário municipal despenda um centavo sequer.Contratos garantidos por comodato ou instrumento legal equivalente.

E mais pode o João fazer por essa cidade.Mas para isso é preciso mais do que coragem para enfrentar o desgaste político que certas medidas acarretam, como as que combatem os camelôs , das ruas e praças, as invasões das periferias , de áreas insalubres e ressacas , incentivadas e consentidas em outros tempos, obra e graça de políticos irresponsáveis que nos legaram uma Macapá cheia das mazelas que tornaram administrá-la um grande desafio a vencer .

Há também a falta de recursos, sem os quais não se faz nada mas que o Fundo Estadual e dos Municípios , instituído recentemente por WG pretende em boa hora corrigir.Mas penso que o pior que tudo isto é a falta de imaginação e competência , responsáveis por grande parte do mau desempenho e da solução de inúmeros problemas da vida dessa que já foi um dia considerada cidade jóia da Amazônia e que há muito deixou de ser.