QUE FUTURO É ESTE, OU A SINDROME DE MOMBAÇA

 

Esta semana foi mais uma daquelas em que os políticos , em busca de vitrine e exposição publicas , seguiram em romaria para Brasília para faturar prestigio na assinatura do contrato referente a ampliação do Aeroporto Internacional de Macapá.Um acontecimento e tanto, como manda o figurino, não poderia passar em branco. Daí a presença previsível de deputados e autoridades do Governo, na busca dos holofotes típicos da ocasião .Em seguida os canais de TV , parte do processo, cumpriram a sua parte mostrando os detalhes da solenidade e os discursos de praxe.

No centro das atenções, sem dúvida, a figura do Senador Sarney tido com patrocinador da benesse, que afinal não é do tamanho que se falou.E a turma que gosta aproveitou para mais uma sessão do beija mão , no velho estilo imperial ,que faz a delícia daqueles que , sinceramente , confundem respeito, merecido, com subserviência.Mas este registro, na verdade , não é pra falar dessa obviedade que como tal já se incorporou ao ridículo da cena política regional.E olha que o velho caudilho só ganhou a eleição dele mesmo.

Em nome do bom senso e da austeridade com a coisa pública, a simples presença do Governador e seu Secretário de Infra-Estrutura, num ato desta natureza, ficaria de bom tamanho.O resto é fruto do deslumbramento ou mais que isto , da licenciosidade e desrespeito para com o cidadão eleitor e contribuinte.E nas falas e obviedades que se seguiram, não se fez uma referencia sequer, uma só, aquele que parece ser o mais relevante dos problemas que já causa e que vai continuar que é a localização do Aeroporto, por sinal o ponto principal ao qual quero me deter.

Os mais antigos habitantes dessa Macapá ainda se recordam que ali pela década de cinqüenta, quando o extremo da cidade não ultrapassava a Iracema Carvão Nunes, ao norte, o Aeroporto de Macapá ficava onde hoje se situa o complexo administrativo , incluídos os Palácios do Governo e da Justiça, e sua cabeceira esbarrava nos limites da antiga Escola Industrial de Macapá, hoje Escola Integrada.

Para desafogar o nosso crescimento urbano, ao final dos anos cinqüenta o mesmo foi transferido para onde está hoje, sem que se fizesse, já naquela ocasião, a devida projeção dos danos futuros ao crescimento demográfico e urbano de Macapá, como seria natural e necessário se fazer, pois afinal as cidades tem vida própria.Elas nascem e não param de crescer.

E lá foi ficando por cinco décadas seguintes e não se discutiu o problema nem se deu o encaminhamento técnico devido.Nem as dificuldades que tem levado os nossos urbanistas para resolver aquele que é possivelmente , ao lado do crime ambiental cometidos contra nossas ressacas , obra do governo Barcellos , o nosso maior problema urbano , representado pelo Aeroporto Internacional de Macapá,verdadeira muralha que se interpõe entre as zonas norte e sul da cidade.Nem o Prefeito João Henrique , dono atual do abacaxi, fizera uma menção sequer.

Resulta desta situação as dificuldades visíveis - que como disse não fazem parte das preocupações dos nossos políticos festeiros, no desafogo do transito demandado do interior do Estado e daquela região da cidade, hoje a mais populosa, ensejando soluções urbanas medíocres como o desvio por sobre o canal do Jandiá, outro crime contra natureza ,que agride a nossa consciência cívica mas que contou com o placê da SEMA , órgãos ambientalistas e com o silêncio do Ministério Público.

Ao que se sabe - pelo que foi divulgado , quase cem milhões de reais vão ser gastos na obra daquele logradouro público, rotulada de ampliação.O governo federal banca 72 milhões e o estadual mais dezoito, desfazendo de vez a informação manipulada pela mídia verde amarela de que o Estado nada despenderia, por intervenção de Sarney , como se a regra da contra partida, que é federal, não valesse para o Amapá.Bom seria, se assim fosse, mas não é.

O volume de investimento desta ordem e o tempo que vai demandar a execução desta obra , justificariam uma discussão mais aprofundada da possibilidade da mudança do local do referido logradouro, sob pena de relegarmos a cidade de Macapá a esta eterna escravidão.Fala-se que já existe um estudo preliminar que aconselha a mudança do mesmo para altura do quilometro nove da BR-156.

Mas sabemos todos que este é o tipo de problema que os políticos não gostam de mexer.Dá muito trabalho, requer inteligência e é bom para o público em geral mas na dúvida não rende voto.Como também nos provoca uma preocupação adicional saber que pouco podemos esperar do futuro, quando soluções dessa envergadura são decididas em meio a fanfarras , fogos de artifício, lessaiz-fair , bourbons , champangnes , canapés, flashes e outros babados, sem que alguém se proponha a discuti-las como merecem.Até quando ?