RODA VIDA, RODA PIÃO....

Quando o assunto se referir a políticos, esqueça de cobrar lógica e coerência.Daí que onde não se pratica a lógica nem a coerência, na maioria das vezes também não se exercita a ética.Falo isto em resposta a um leitor que insiste em saber o que penso da transferência recente do prefeito João Henrique para o PT conforme havia anunciado.E aqui falo em tese.Nada pessoal, mesmo porque os casos são reproduzidos a exaustão aqui e pelo Brasil afora.E o do nosso alcaide é só um, nesse imenso oceano de incongruências que é o meio político.

E para lembrar e reforçar ainda mais as minhas convicções, veja o comportamento recente do PT diante das reformas que quer implantar a qualquer custo, mesmo que isso contrarie frontalmente bandeiras antes defendidas e custe ameaças dignas da ditadura a seus militantes que teimam manter a coerência, feitas por duas notórias vítimas do regime, Zé Dirceu , Secretário do Presidente Lula e José Genoino, lendário guerrilheiro do Araguaia, atual presidente do partido.Nem tão pouco a postura inimaginável do mesmo Genoino ao negar-se , aqui, tratar de assuntos tão relevantes como o da dissidência do PT do Amapá que insiste num acerto de contas do governo Dalva Figueiredo.

E falemos mais de coerência e ética..Quem acompanhou o segundo turno do última refrega eleitoral que elegeu Waldez Góes ao governo do estado, como o apoio explicito do Prefeito e do PSB, por ele conduzido , jamais poderia imaginar um desfecho mais improvável, pela ótica da coerência , como esse que levou JH ao partido de Lula.Aos que estranham o que aqui foi dito, explico já.

Quando findou a batalha do turno daquelas eleições, em que restaram Waldez Góes pelo PDT e Dalva Figueiredo pelo PT , iniciou-se uma verdadeira batalha na busca do apoio dos socialistas derrotados , apoio que era considerado, como foi , fatal ao resultado das eleições, apesar do excelente desempenho do candidato do PDT já no primeiro turno .

Na sua reengenharia de campanha para o returno , contava o PT - pleno de fundadas razões e esperanças , com a colaboração dos antigos “aliados” do PSB , possível não fosse o desvario dos “companheiros petistas ” , naquele apagar das luzes da campanha do turno quando, por pouco, muito pouco, não levaram a eleição de Capiberibe ao senado para o limbo da história , objeto de tresloucada e estranha campanha do voto útil em favor de Gilvan Borges, mais parecida a uma torpe vingança, que a um ato politicamente coerente e fundamentado.

E aconteceu o que aconteceu como todo mundo sabe. Algo que jamais fôra previsto ,nem tão pouco imaginado: a tropa do PSB , capitaneada por J.Henrique , com aval explícito de Capiberibe, uniu-se a Waldez Góes e daí à vitória , foi só um passeio. Decisão tão inesperada quanto fatal para o destino daquele pleito, que o novo governador, no fervor da vitória , tirou dos seus cuidados para agradecer por telefone , de viva voz e em praça pública, o apoio recebido dos antigos desafetos.

À luz da história, e aqui que entra a questão da coerência e da ética, o PT fez de tudo para atrair naquele momento o companheiro JH sem lograr êxito.Segundo a lenda que se seguem as batalhas de vida e morte, ou por conta das versões passada aos mais íntimos, o nosso alcaide teve que se esconder de lideranças expressivas do PT, entre elas José Dirceu , José Genoino, que lhe abonou a ficha. E pasmem : de Lula, o Presidente, que mesmo do alto de uma eleição liquidada na véspera, não conseguira um vestígio sequer do neo- companheiro João Henrique, em busca do decisivo apoio, tão camuflado estava no seu bunk insólito e jamais revelado.

Enquanto isto o senador Sarney, em estado puro de incoerência e bizarrice , mas de posse de expressiva liderança local e nacional, aliado de primeira hora de Lula , diante dos nossos incrédulos olhos, fazia nos palanques profissão de fé e honras a candidata petista, cuja eleição recomendava como o melhor para o Amapá.A introdução do Senador nesta altura dos fatos , não é por acaso e se justifica por tratar este artigo de lógica , de coerência e ética política.

Resumo da ópera (ou seria opereta?) : João Henrique, brigado com o seu mentor e criador intelectual e material João Capiberibe deixou o PSB, renegado e abandonado pelo Governo que elegeu, restou aboletar-se afinal , na tentativa de salvar-se dos descaminhos e dissensos de suas decisões , nos braços do desafeto PT de quem, há menos de dez meses, queria distancia como o diabo da cruz.

Enquanto isto , debaixo deste belo céu azul e caliente sol equatorial; sob os desígnios do poder que ajudou a construir, vaga o prefeito , de pires na mão feito um pedinte reivindicando , com justa razão, o seu naco de poder, ao que se sabe, sem muito sucesso.Na contra mão da história assiste José Sarney transitar serelepe e fagueiro pelo governo que queria derrotar, com direito a sessão de beija mão e outras mesuras, comuns a esse mundo que não obedece a lógica, a coerência nem tão pouco a ética.

Mas haverá sempre quem argumente : é pelo bem do Amapá.O que é pouco ou nada provável.Estamos cansados de saber que nada será em seu favor, do Amapá, sem que antes não seja pelo bem de cada um deles, dos políticos é claro.O Amapá nunca contou, nem vai contar.Espero ter satisfeito a curiosidade do meu especial leitor.

A IMOLAÇÃO DE HUMBERTO

Quando digo que vivemos numa terra de duendes, muita gente não acredita. O hábito aqui ressuscitar velhos fantasmas e enterrar gente viva . Como querem fazer com Humberto Moreira, bom profissional, que está sendo punido por meia dúzia de idiotas por... “delito de opinião”.

Como também tentaram fazer com Paulo Silva, outro excelente jornalista que voltou a ativa e que também se presta como exemplo.E o pior que a “banca” que condena os jornalistas citados é burra, ignorante, medíocre e faz muito pior que imagina que eles tenham feito.

O povo americano até hoje carrega o estigma do macarhtismo , uma onda “caça ás bruxas” igualmente idiota criada por um senador imbecil, cérebro de rinoceronte, no auge da guerra fria, que causou um rombo sem precedente na história e na cultura americana.Coisa de gente miúda.

Humberto tem todo o direito de trabalhar.E de ter as suas crenças políticas, religiosas,futebolistas , enfim , o direito de ter opinião sobre tudo e sobre todos.É assim que se constrói um estado democrático.

Lição que deve ser aprendida e exercitada pelo Sindicato de Jornalistas deste Estado.O HM é um jornalista feito todos nós, e o que queremos para nós não pode ser negado a ele, nem a defesa do seu direito ao trabalho e nem tão pouco permitir que leve porrada por pensar do jeito que acha do seu direito pensar.

O retorno de HM - anunciado para breve na Transamérica , deve ser saudado com festa.Em qualquer lugar deve sempre haver espaço para bons jornalistas.Bem vindo companheiro, apesar da aparente calmaria o mar está cheio de tubarões e outros bichos.Sobreviver entre os bons não é difícil, ruim mesmo e conviver com a mediocridade.