SINAL DE ALERTA

Caso o governador Waldez Góes tenha um conselheiro sincero e competente, esse deve lhe dizer com urgência que não é bom o momento atual do seu governo. E acrescentaria: toda a mídia colocada no ar, as inaugurações e re-inaugurações, os discursos inflamados e a portentosa 40º Expofeira , ainda assim, estão longe de ofuscar todas as acusações que atingem o Governo.

As denúncias que ganharam as manchetes da Folha do Amapá e repercutidas de forma inédita e espetacular na TV Amapá, pegaram o governo com as calças na mão. Para esquentar ainda mais teve a nota do PMDB, assinada pelo ex-senador Gilvan Borges, como que avalizando o conteúdo das mesmas, espécie de carona que causou mal-estar na relação oficiosa, mas próxima, do seu partido e de Sarney com o Governo, que vive a lhe fazer mimos por onde anda.

Não se conhece os conselheiros oficiais do governador. Nem a quem recorre e escuta nas tomadas de decisões. O que não chega a ser novidade. O comum é o mandatário agir e decidir por conta própria sem ouvir assessores. As assessorias são funções de fachada. Aqui e na maioria dos governos, e em qualquer governo, nunca tiveram poder de influenciar, ao contrário das democracias modernas.

Como sabemos, em episódios dessa natureza há sempre uma amarração de interesses. Nas horas de aperto o Governo busca apoio e conselhos nos aliados políticos e nos parceiros mais chegados, numa reação de auto defesa. Nada técnico, muito menos especializado. Mais um, entre tantos equívocos. Geralmente pessoas incapazes de fazer uma análise correta e isenta, necessária a uma judiciosa orientação, por serem partes do problema.

São avaliações cheias de vícios e conclusões duvidosas. Como fazer pensar e querer governar sem oposição. A visível e a invisível. Querem uma unanimidade que além de impossível é burra, como disse Nelson Rodrigues, e no nosso caso custa muito caro. O contraditório, a pluralidade de posições e idéias, são elementos da democracia e do jogo político.

Como asneira também é se considerar leviana e mentirosa qualquer denúncia feita e atribuí-la a adversários ou a quem está fora do poder. Mais absurdo ainda negá-las quando se originam a partir de documentos oficiais. Um cidadão que reclama da qualidade e eficiência do serviço público está no seu papel e deve ser respeitado, e não pode ser considerado inimigo.

Na falta de interlocutores habilitados proliferam os “palpiteiros”. Como os que insistem na tese surrada de se atribuir tudo o que de ruim existe ao governo que saiu. Por isso o atual vive, por conta dessa gente, o dilema de não precisar bem a qual governo culpar, se ao de Capiberibe, a reencarnação do demônio e preferido da maioria ou se Dalva que pendurou uma fatura magistral para Waldez pagar, igualzinha a que Barcellos deixou para Capiberibe, nos idos de 95, objeto das mesmas queixas e ladainhas.

A coisa não pára por aí. Há muitas comparações equivocadas e descoladas do contexto, na tentativa de provar que se faz hoje, melhor que no passado. Tolices e tolices. Tudo porque falta a compreensão que cada governo é um governo, com seus programas e políticas públicas, seus novos agentes com uma visão diferente de Estado. Neste grupo se enquadra a turma do retrovisor, que fica olhando pra trás com medo do ”inimigo”.

De volta aos episódios das denúncias, tenho a convicção que o silêncio não é a melhor estratégia. Nem tão pouco a pirotecnia televisiva tão a gosto dos marqueteiros, esses magos vendedores de ilusão, que querem nos convencer que os governos virtuais existem e são eficientes. Ao invés de aconselhar seus clientes a ouvir a voz rouca das ruas, como dizia o velho e sábio Ullisses Guimarães, ensinando que o povo tem olhos, ouvidos e mentes bem abertos.

Apesar desses solavancos acho que o governo tem condições de reagir. Até porque tem um bom projeto para o Amapá. Se prevalecer a política de integração do Estado através do desenvolvimento harmonioso e consistente dos seus municípios, como pensaram originalmente Rayol, Heraldo Fonseca e outros pedetistas sinceros. O interesse social antes e acima de tudo.

O governo não pode ficar a mercê de maus políticos, falsos empresários, gestores públicos mal intencionados que não conseguem ver a máquina estatal de outra forma que não a de serviçal de seus interesses, ou como um grande balcão de negociatas. Praga que se disseminou e pressiona o Governo a desviar-se de seus propósitos fundamentais.

O sinal de alerta foi acionado. Há políticos e gente sensata que entendem não haver razão para a manutenção do quadro. O Governo e as instituições públicas detém instrumentos eficazes capazes de extirpar o quisto que vem comprometendo a sua credibilidade e a imagem do Governador.

Em tempo: não adianta reclamar do silêncio de Sarney. O Senador considera-se um estadista, que não se mistura com a ralé. Para ele esses são fatos pequenos e como tal não fazem parte de suas preocupações. Por isso mantém o hábito, equivocado, de ficar longe dessas questões como se não lhe dissesse respeito.

Se é verdade que os projetos de governo se estendem pelo seu tempo possível, hoje fixado em oito anos, o atual pode ser considerado uma criança ainda, com um longo caminho pela frente. O erro é pensar que poderá atravessá-lo carregando um fardo tão pesado. Que lhe consome as forças, a credibilidade e recursos substanciais de um orçamento já insuficiente para a realização de uma obra, cuja proposta é promover o desenvolvimento do Estado e distribuir justiça social.