SÓ EDUCAR NÃO BASTA

Não tenho nenhuma dúvida da importância de qualquer campanha para orientar e esclarecer o eleitor como votar.Igual essa que o TSE vem divulgando em todos os veículos de comunicação do Brasil nos períodos eleitorais.Campanhas absolutamente indispensáveis tendo em vista a vulnerabilidade do eleitor brasileiro, ainda distante da compreensão exata da importância do voto e dos seus efeitos na sua vida e na do lugar onde vive.

Não fosse grande o buraco que separa as camadas sociais do Brasil, divididas em cidadãos de primeira, segunda, terceira e até enésima classe, campanhas dessa natureza seriam absolutamente dispensáveis.Pelo contrário mostram-se necessárias diante do aprofundamento dessas desigualdades sociais que resulta, sem dúvida, da escolha equivocada de agentes políticos sem o mínimo de compromisso com o cidadão, com a sua cidade , com o seu estado ou com país onde vive.

Por isso consideramos pertinente a preocupação do TSE , a mesma de nos outros que temos consciência da selvageria e do vale tudo que se transformaram as eleições no Brasil , independente do seu nível de disputa, que muitas vezes parecem briga de traficantes por ponto de jogo, droga, armas e coisas do gênero.Somos parte de uma sociedade cada dia mais individualista , moralmente decadente , cada vez mais corrompida , daí ser preciso estimular medidas dessa natureza, que visam impedir que cada eleição contribua ainda mais para consolidar esse quadro de indigência que assola o nosso país.

A grande massa votante é desempregada ,maltrapilha, faminta, deseducada , sem esperança etc.Vive confinada nos arredores dos grandes centros urbanos.Presa fácil de políticos inescrupulosos, extremamente profissionais, que vivem da exploração de suas necessidades e miséria.Na verdade seus próprios algozes que por ironia ajudam eleger, estabelecendo um interminável ciclo vicioso.Uma tragédia tipicamente brasileira.

Nenhuma campanha , inclusive essa do TSE , será suficiente se os órgãos encarregados de fiscalizar o processo de campanha , conforme manda a lei eleitoral , não cumpriam à risca o seu papel. As mensagens elaboradas com inteligência e boas intenções, perderão a sua eficácia , uma vez que o cidadão, ainda que entenda o seu sentido, continuará vulnerável a achaque do poder econômico, presente e atuando livremente, sem nenhum pudor.Por isso essa campanha, antes de chegar ao cidadão eleitor , deveria ser passada, como um dever de casa obrigatório, a toda a instituição , aos TRE estaduais , como fundamental para que a campanha alcance o objetivo pretendido.

Eleição, como sabemos, é instrumento vital nas democracias.O mais importante,sem dúvida. A eleição permite ao cidadão escolher os seus governos e representantes nos parlamentos.Por esta razão é preciso se garantir o processo de livre arbítrio e escolha do cidadão, para que o resultado reflita a sua vontade e da sociedade em que vive.Esse papel pertence aos Tribunais Eleitorais em cada Estado que devem se manter absolutamente neutros e distantes das disputas locais.

No Brasil , infelizmente, o processo vem se desfigurando lentamente a cada eleição, de forma que essa representatividade, que deveria refletir a composição do tecido social, fica cada vez mais comprometida pela grande ingerência do poder econômico e da força do próprio estado na definição dessa representação, produzindo profundas distorções na representatividade dos parlamentos, qualquer que seja o seu nível.

No caso da ingerência do Estado, para não se cometer injustiças, raro o governante, Brasil afora, que não cedeu a tentação de usar a força da máquina pública em favor de seus candidatos.Uma prática condenável que desvia o governo e recursos públicos de suas destinações básicas e acaba influindo o resultado dos pleitos sob a vista grossa da autoridade.Essa tendência tem sido tão preponderante que nem o vetusto PT , a julgar pelas denuncias recentes da imprensa , manteve-se imune.

A falta de uma atitude enérgica da autoridade legal permite o agravamento do quadro.O desrespeito às regras eleitorais tem sido tão grosseiro que fica impossível alguém negar a sua prática.A omissão e o silêncio, inaceitáveis sob todos os aspectos, demonstram um certo grau de consentimento e favorecimento , tornando mais graves ainda esses ilícitos, anulando os efeitos que a campanha do TSE poderia provocar no ânimo do eleitor.

Por isso mais importante que educar e orientar o eleitor é protegê-lo dessas violações abusivas produzidas principalmente pelo poder econômico ,só possível com a ausência da autoridade. Agindo de forma responsável, diligente e isenta o TRE evitará equívocos como o recente “ caso Capiberibe “, no qual os interessados , inconformados com a derrota nas urnas , criaram seu próprio fato, arranjaram suas próprias testemunhas, criaram o seu próprio processo , e acabaram levando no tapetão contrariando a vontade manifesta do eleitor.Só pra citar um caso.