TROCANDO EM MIÚDOS

RupSilva

Embora o Maranhão vá muito mal, qualquer que seja o instituto pesquisado, índice social analisado e o ângulo de avaliação observado, aqui SARNEY continua fazer um tremendo sucesso. A presença do senador nas discussões e definições sobre o destino da maioria dos partidos políticos , inclusive do PT, prepondera, tem sido uma constante, segundo rumores que vem dos bastidores.

O Senador, apesar dessa tragédia, continua dando as cartas, impondo a sua vontade pessoal, fazendo a cabeça da maioria dos políticos locais. Segundo se fala cabe-lhe sempre a última palavra, em qualquer assunto do gênero. O resto obedece, faz figuração. Comprova isso a recente decisão que levou Isaac Alcolumbre à vice de Sebastião “Bala” Rocha na chapa encabeçada pelo PDT. Coligação essa considerada difícil de fechar, tantos os atritos gerados pela indicação do ex-senador, tornando-se necessária a intervenção de Sarney para colocar ordem na casa.

Para viabilizar-se teve que obedecer algumas premissas. A primeira delas que a parceria do PMDB com o PT, considerada preferencial e inspiradora da aliança com o Planalto, demonstrava-se inviável na prática ao confrontar-se com as peculiaridades e interesses paroquiais de cada município, difíceis de enquadrar numa “ordem” nacional, como a princípio foi pensado na cúpula. O furo foi geral, principalmente em São Paulo, na verdade o alvo maior do conluio planaltino.

Depois por aqui o cacife do Prefeito João Henrique, como se sabia, tinha limites e barreiras intransponíveis, de ordem ética, moral e ideológica, capaz de atender um acordo que satisfizesse os interesses do PMDB que além de cargos e poder, incluía grana de verdade, se forem críveis as queixas do PT que ao invés de denunciar o achaque sofrido as autoridades competentes, preferiu repetir a fábula da raposa e das uvas..

Abandonado à própria sorte por Sarney, pressionado pela resistência do partido à união com o PT, só restou a João Henrique se contentar com a companhia do PC do B e do PV, aliados de sempre. No caso específico do PC do B, junta-se novamente aos velhos companheiros do PSB, Evandro Milhomem e Eury Farias, hoje abrigados na sigla, esse como sabemos ungido a vice na chapa petista. Decisão que levou os maldosos de plantão a considerar que o PT, o velho PT, de longas tradições de luta, ficara fora da disputa.

O PV é mais um capítulo que mostra o grau de dificuldades que teve o PT para construir a sua base de apoio. Abalado por uma disputa de poder interno, mas uma entre tantas, os verdes chegam divididos nessa coligação. O promotor Moises, um dos caciques do partido, e candidato declarado a Prefeito, ameaça representar junto o TRE contestando a decisão do Deputado Zezé, articulador e mentor da união com o PT, não se sabendo aonde isso vai parar.

O quadro não é nada animador. A rigor João Henrique e o PT chegam bastante fragilizados para o pleito, lutando tenazmente para ocupar um dos pólos da disputa. Não só pelos inúmeros problemas na gestão da Prefeitura, mas principalmente pelos decorrentes das disputas internas das diversas correntes partidárias, algumas delas já comprometidas inclusive com a candidatura do PSB, segundo comentários extra-oficiais, já que não podem ser oficiais.

Voltemos a escolha de Isaac Alcolumbre como vice de Bala. Ela trás alguns indicativos. Não é difícil deduzir que o PMDB, ao fechar com o PDT, deve ter levado o que o PT negou. Mesmo porque, latu sensu, essa indicação sempre foi considerada privativa do grupo liderado pelo senador Gilvan Borges e Isaac Alcolumbre, decididamente, não pertence ao grupo.

Indica também que o jovem empresário, ainda que debutante na política, chega com outra missão considerada crucial para a composição de forças e fortalecimento do candidato governista. Trazer para dentro da campanha, segundo a expectativa do Governo, três lideranças que se rebelaram fortemente contra a decisão de escolher o ex-secretário de saúde, político da estreita confiança de Waldez Góes.

Primeiro deles o primo David Alcolumbre, depois o amigo e conselheiro político Lucas Barreto, presidente da AL, preteridos na escolha do Setentrião. Por fim o senador Papaleo Paes, que mantém uma postura arredia em relação ao governo, a quem foi dado publicamente a “paternidade” da indicação de Isaac, mas negada em off pelo senador, deixando no ar indícios de complicações futuras..

Não resta nenhuma dúvida que coube a Sarney costurar esse acordo considerado como o único capaz de devolver ao médico Sebastião Rocha a condição de ocupante de um dos pólos da disputa. O que não se sabe - e em política esse é um exercício penoso e incerto, se ele vai funcionar na prática.

Não se pode negar que se trata de um pré-arranjo para as eleições de 2006, com ganhos substanciais a tese de reeleição de Waldez Góes, se isso e somente isso for suficiente. Por esta razão a eleição de Bala, candidato do grupo que detém o poder, tornou-se fundamental. A novidade agora é o agréement do “chefe” Sarney que abandona de vez o PT, ao que parece, e enquadra todas as outras lideranças que viviam viajando na maionese, sonhando e conspirando pelo cargo do beneficiário maior de tudo isso, Waldez Góes.

O mais importante, na avaliação que Sarney faz aos aliados, é juntar forças para impedir o avanço do PSB com a eleição de Janete Capiberibe, cujo desempenho vem alarmando o Governo. O medo e o instinto de sobrevivência, segundo um governista, favoreceu o acordo e o candidato Bala. A pergunta que se coloca, no entanto, é se ele será suficiente para eleger o candidato governista e impedir a marcha dos socialistas no seu projeto de retornar ao poder.

A coligação comandada pelo PSB, liderada pela deputada Janete Capiberibe ganhou um aporte significativo de oxigênio com a entrada do PTB de Eduardo Seabra, e isso até os adversários reconhecem. Não só pelo tempo na TV, pela base de apoio de um dos maiores setores da máquina estatal, a educação. O isolamento pretendido por Sarney não ocorreu. As pesquisas silenciosas, aquelas que não freqüentam as páginas dos periódicos, já colocam a candidata do PSB numa posição confortável. Com uma vantagem adicional: muitos dos ingredientes que impulsionam Janete, estão fora do controle e da influência dos adversários, garantem. Em caso de dúvida, é bom conferir.