Avisem a Saddam e Bush que este é o século da paz

O extremo da contradição humana ocorre nesse início de milênio. De um lado místicos, religiosos de várias correntes do bem anunciam que o planeta passa por uma fase de transição, saindo da condição de expiadouro das mazelas do espírito e da carne para uma condição superior, de supremacia dos sentimentos e ações pacifistas, em processo de eliminação da violência e do egoísmo.

Do outro lado - e que lado! - tão perto, tão vizinho das nossas consciências e dos nossos medos, está a corrente do mal, com George Bush como porta-estandarte e Saddam Hussein como arauto da intolerância. O problema são as armas de cada um. As levadas pelos pacifistas são subjetivas, se expressam em canções e gestos sutis. As dos senhores do mal matam impiedosamente, espalham a dor, o sofrimento e o medo, deixam marcas que podem levar muito tempo até serem apagadas.

A revista Carta Capital de 26 de março diz que "Bush não compreende o século XXI". Ele parece um velho xerife do velho oeste americano, sem nenhum charme, como o teria John Wayne, apenas determinado a arrancar os olhos de seu inimigo. No velho oeste, os revólveres pesadões emitiam uma bala a cada disparo e acertavam o inimigo em cheio. Nos dias de hoje as armas são tão complicadas, matam tantos ao mesmo tempo, algumas são silenciosas, matam aos poucos, contaminam milhares, apavoram...

Bush precisa ser detido tanto quanto Saddam Hussein. Ambos não compreendem o século XXI. Alguém precisa informá-los de que o século é dos pacifistas, que o mundo está em transição para a paz e que eles estão fora de moda.

Se não der tempo, deixo aqui minha mensagem de otimismo.

Vamos até o fim com nossas flores, nossos cartazes feitos a mão, nossas faixas multicores, nosso peito aberto, nossos corações a mil, nossa esperança que não tem limites, nossa fé sem fronteiras, nossa alma boa, nossas canções libertadoras, nossa certeza de que esse é o século do amor.

Márcia Corrêa
25.03.03