2004:Fui !!!!

Foi difícil, deu muito trabalho, houve imprevistos, acidentes de percurso, mas chegamos lá. A batalha foi árdua, mas valeu a pena. Após o sufoco, até podemos rir de algumas situações. Na época, porém, a coisa chegou a ficar preta. Crises políticas e escândalos fizeram parte do cenário com freqüência.

Mas o tempo, o remédio milagroso que cura todos os males, mostrou que as dificuldades eram passageiras. Um teste, quem sabe? Talvez para ver o limite de resistência de cada um. Ver quem realmente agüenta pressão, cobrança, stress. Aos poucos os descrentes começam a acreditar mais no país.

A vitória, contudo, tem um sabor melhor quando temperada com grandes desafios, obstáculos quase intransponíveis, tarefas sacrificantes mesmo. Sem estoicismo mas com todas as dificuldades possíveis. Quando a coisa é fácil não tem graça. Como disse Alan Greespan, o todo-poderoso chefão do FED, o Banco Central norte-americano: “não existe almoço grátis”.

Assim foi o ano de 2004. Tristezas e alegrias no mundo todo. A mesma mídia que divulgou o bom desempenho da economia e a prosperidade, mostrou a impotência das autoridades e da sociedade para combater o narcotráfico e a corrupção. E já no apagar das luzes, a mãe natureza prova como somos frágeis perante a sua imponência, devastando parte do sudeste asiático.

O nosso país, apesar do ocupar lugares vexatórios na educação, quando comparado com outros 39 países, nas áreas de conhecimento em matemática, literatura e ciências, teve um desempenho excepcional, o melhor dos últimos anos. Recordes e mais recordes em produção e exportação. Saldo espetacular na balança comercial e outros desempenhos que nos deixam orgulhosos.

O lado deficitário, no entanto, mostra que precisamos melhorar em infra-estrutura material e intelectual. As péssimas condições das estradas e portos, somadas à carência de mão-de-obra qualificada, ainda nos coloca na fila dos países subdesenvolvidos. As regras nos negócios, que mudam ao sabor da vontade dos governantes, elevam o índice do risco-país, tão decisivo para atrair investimentos. Além de impor juros exorbitantes nos empréstimos tomados.

Quem faz um país melhor ou pior são as pessoas que nele vivem. Somente com muito trabalho, investimento em educação e seriedade em tudo que precisa ser feito, chegaremos à verdadeira prosperidade. Não dá para ficar esperando acontecer milagres sem fazer a nossa parte. O nosso país é viável.

Agora, imaginem se eliminássemos uma parte das nossas deficiências. O que impediria o nosso crescimento? Quantos países poderiam competir conosco? Certamente estaríamos pertos, muito perto, do verdadeiro paraíso. E por que as coisas não acontecem como queremos? Bem, como disse alguém muito sábio: “a educação e o conhecimento libertam as pessoas”. Feliz 2005!!!!

(José Roberto Ichihara, cronista, engenheiro e administrador)