Bom pra cachorro

Dentre as costumeiras encomendas de viagem, o pedido de minha amiga Lourdinha me parecera o mais difícil de atender. Mesmo sabendo da minha falta de afinidade com animais, sobretudo com cães, ela me pediu que eu visitasse um pet-shop.

Não fui. Nem tanto por falta de interesse, mas por não ter surgido nenhuma oportunidade, embora, em Sorges seja promovida, anualmente, uma importante exposição canina. Até passamos diante de um pet-shop, mas como Rachel também não tinha afinidades com cães, eu não insisti na idéia.

Para compensar me esforcei em comprar cartões postais, que apresentavam espécies animais, como os chiots dos Pyrénées. Por compreender a curiosidade de minha amiga, que é proprietária de uma loja de banho e tosa de animais, estive atenta a todas as possibilidades de atender pelo menos o segundo pedido, que me parecera menos difícil: fotografar cachorros bonitos.

Certa manhã, Cleide e eu havíamos saído para tomar café em uma rua de Barbess em Paris, quando cruzamos com um lindo São Bernardo. O cão estava acompanhado por uma mulher alta, magra e com ar desleixado. Comentei com minha amiga e ela teve a prudência de perguntar à mulher se eu poderia fotografar o cão. A resposta foi um sonoro não. Mas minha amiga, não se intimidou, falou que éramos brasileiras, explicou o porque do pedido, elogiou a beleza do cão, e agradeceu mesmo não tendo sido atendida.

A mulher, que parecia fazer parte da legião de desempregados que perambulam por Paris, ficou desarmada com a gentileza de Cleide, justificou sua negativa, dizendo que o cão poderia ficar nervoso. Não insistimos, a imagem ficou registrada só na minha cabeça.

Na região de Béarn, não convivi com cães. Na casa de Rachel também não. Em Lyon, fotografei um dálmata em uma praça, desta vez temendo uma nova negativa, não pedi licença, fiz a foto à distância.

Somente em Meillonas vim a conviver com cachorros. Mégane uma das cadelas da casa de Chantal, de imediato ficou muito amiga de Henrique. Índia porém, não lhe fez muitas festas, talvez tivesse ficado aborrecida, porque ele a apelidou de Renault. Mas no passeio a pé pela cidade, deu para perceber que fizeram as pazes. Cães e donos correram alegremente, o que me rendeu uma das mais belas fotos das férias.

Foi também no passeio por Meillonas que tive a oportunidade de fotografar dois belos cães que estavam na varanda de uma casa. Quando os vi, pensei que ocorreria um alarido de ambos os lados, mas Mégane e Índia, passaram sem alarde, e os dois, com ar soberbo, acompanharam-nas com um olhar altivo, sem nenhum latido. Coisas da elegância francesa!