CARNAVAL 2005 O ESPETÁCULO PAROU !

Estou acompanhando os últimos desdobramentos no que tange o tema carnaval, sou um amante de carteirinha dessa grande manifestação cultural do nosso país, não me esqueço a primeira vez que acompanhei um desfile pela televisão, naquela ocasião desfilava a escola de samba mocidade de padre Miguel, o ano foi de 1985 com o enredo Ziriguidum 2001 que a consagrou a grande campeã, e apartir dessa grande apresentação um divisor de águas do carnaval carioca. Em Macapá meu primeiro contato com o carnaval foi aproximadamente a partir de 1987, e as imagens que guardo deste primeiro contato são: o vai-e-vem de carros alegóricos, aquecimento da bateria, e toda a festa das torcidas que antecediam os desfiles das escolas tudo sobre o olhar atento do nosso saudoso Rei Sacaca.

Nessa época minha participação foi a de mero espectador e torcedor pelo sucesso do meu tio o primeiro da família a cruzar a avenida FAB defendendo as cores da verde e rosa da favela. O tempo se passou e minha participação foi ficando cada vez mais constante e assim pude perceber a evolução de nosso carnaval, com o aumento de público tornando a tradicional Av. FAB pequena para a proporção de brincantes e foliões que a lotavam já naquela época .

Se não fosse pelos últimos acontecimentos esse meu pequeno relato poderia parecer uma posição saudosista e individual sobre o carnaval, mas o grande problema é que não é, estou aqui escrevendo um sentimento que não é só meu, mais de uma grande parcela do povo amapaense que ama, vive e respira carnaval, pessoas que se preparam o ano inteiro para fazer desse momento não só uma diversão, mas de transformar ritimos, músicas, informação, história, críticas, em sustento pra si e para a família.

O carnaval amapaense amadureceu e vinha crescendo, com a construção do sambódromo ficou mais forte nossa relação com essa cultura que não é privilegio só de cariocas e paulistas e sim do Brasil, o ciclo natural de crescimento era claro, com turistas vindos da Guiana Francesa, Suriname e Pará, possibilitando um visível impulso em nossa economia e gerando oportunidade de emprego a músicos, autônomos da economia informal, segurança,e a todos aqueles que de alguma forma contribuem para realização de um belo espetáculo.

Diante dos últimos fatos sou levado a crer que mais uma vez o governo saiu da cadencia do samba e deixou o nosso sofrido povo sem ver a banda passar, Não quero aqui entrar no mérito técnico da questão, que transforma números em álibi, para tirar do povo amapaense aquilo que ele tem de mais especial que é sua criatividade e alegria. O que esta sendo feito por parte do governo Waldez vai de encontro a toda uma trajetória ascendente daqueles que fazem e que fizeram o nosso carnaval como Falconéri, Maria Sambista, Vagalumem, R. Peixe e Sacaca, grandes arquitetos do samba que não poderão ver em 2005 a escola de samba da alegria popular passar na avenida.


Wendell Rodrigues
Acadêmico de Ciências Sociais/ Presidente Estadual da Juventude do PSB/ Brincante da Escola de Samba Piratas Estilizados.