E O AMAPÁ VENCEU!!!

*Heraldo Costa


Escrevo esta crônica no dia seguinte ao que o time de futebol de magistrados do Amapá sagrou-se campeão brasileiro.

Quem me conhece sabe: apesar de não jogar nada, sou fascinado por futebol e desejei muito que o Amapá vencesse, como venceu.

Entretanto, alguém poderia dizer que vencer em casa é fácil. Mas não é bem assim. Basta lembrar da Seleção Brasileira, nos anos 50 e de tantas outras que foram anfitriãs e não levaram o caneco.

Mas a verdade é que a gente quer sempre vencer e, se for em casa, melhor ainda. Observa-se, em uma copa do mundo, que vencer está no coração de mais de 170 milhões de brasileiros. E não é para menos. O Brasileiro é um esperançoso por natureza, e a vitória no futebol alegra o coração, faz subir a auto-estima, tão castigada e tão arranhada por inúmeras decepções.

O futebol, também, nos permite presenciarmos uma festa de irmãos e de irmãs, já que o esporte bretão nos une acima das ideologias, das religiões, dos partidos políticos e das corporações.

Em outros tempos, as esquerdas brasileiras diziam que o futebol era o ópio do povo, pois nenhum grande político deu tantas alegrias como os artistas da bola nos deram. Mesmo nos anos de chumbo da década de 70, o futebol serviu para mostrar ao mundo um Brasil que dava certo, nem que fosse dentro das "quatro linhas".

Mas será que o futebol ajudou a ditatura? Como diz um nobre jurista paraense: pode até ser..... mas, que por outro lado ajudou a alegrar milhões, isso ajudou.

Mas hoje o Brasil vai um pouco além do futebol e abre seus olhos para o esporte em geral.

"O esporte é uma das mais ricas manifestações de vida que eu conheço.
Contém todas as virtudes e todos os pecados da criatura humana, dos mais sublimes aos mais subalternos", afirma Armando Nogueira, em seu livro A Ginga e o Jogo.

Mas voltemos ao assunto inicial: o da seleção de magistrados do Amapá, capitaneados pelo juiz Marcos Quintas, que bravamente venceu o campeonato nacional. Na final, o que se viu foi uma explosão de alegria, captada muito bem pelos jornais da Capital, que divulgaram o feito histórico.

Para muita gente que pensa que Juiz não dá valor às coisas da vida, foi o momento de saber que juiz gosta, joga e torce como qualquer outro brasileiro, apaixonado por futebol.

Apesar do juiz ter buscado o caminho dos estudos e concursos, vibra e comemora quando ganha como qualquer jogador, como os listados abaixo, capazes de proferir frases tão bem elaboradas:

"EU PEGUEI A BOLA NO MEIO DE CAMPO E FUI FONDO, FUI FONDO, FUI FONDO E CHUTEI PRO GOL" (Jardel, ex- jogador do Vasco e Grêmio, ao relatar ao repórter o gol que tinha feito)

"A BOLA IA INDO, INDO, INDO.. E IU !!!" (Paulo Nunes, comentando um gol que marcou quando jogava no Palmeiras)

"TENHO O MAIOR ORGULHO DE JOGAR NA TERRA ONDE CRISTO NASCEU"
(Claudiomiro, ex-meia do Inter de Porto Alegre, ao chegar em Belém do Pará para disputar uma partida contra o Paysandu, pelo Brasileirão de 72)

"NEM QUE EU TIVESSE DOIS PULMÕES EU ALCANÇAVA ESSA BOLA" (Bradock, amigo de Romário, reclamando de um passe longo)

"NO MÉXICO QUE É BOM. LÁ, A GENTE RECEBE SEMANALMENTE DE 15 EM 15 DIAS"
(Ferreira, ex-ponta esquerda do Santos)

"QUANDO O JOGO ESTÁ A MIL, MINHA NAFTALINA SOBE" (Jardel, ex-atacante do Vasco, Grêmio e da Seleção, hoje no Porto de Portugal)

"CLÁSSICO É CLÁSSICO E VICE-VERSA" (Jardel)

"O MEU CLUBE ESTAVA À BEIRA DO PRECIPÍCIO, MAS TOMOU A DECISÃO CORRETA DEU UM PASSO À FRENTE" (João Pinto, jogador do Benfica de Portugal)

"A MOTO EU VOU VENDER E O RÁDIO EU VOU DAR PARA MINHA AVÓ" (Biro Biro, ex-jogador do Corinthians, ao responder a um repórter o que iria fazer com o "Motoradio" que ganhou como melhor jogador da partida)

"NA BAHIA É TODO MUNDO MUITO SIMPÁTICO. É UM POVO MUITO HOSPITALAR"(Zanata, baiano, ex-lateral do Fluminense, ao comentar sobre a hospitalidade do povo baiano)

 

PARABÉNS TIME TUCUJÚ.

*Heraldo Costa é Juiz de Direito Substituto.