Uma viagem à Idade Média (21)
Do livro França: um sonho de viagem (no prelo).
Vania Beatriz Vasconcelos de Oliveira


O vinho da noite anterior me fez dormir cedo e acordar mais cedo ainda. Na madrugada refiz meu roteiro de viagem. Já havia deixado para trás a possibilidade de ir à Reims visitar Jean-Pierre e Silvana. Também estava descartada a possibilidade de ir à Aix les Thermes rever meus amigos os Boisgarnier, porque naquele final de semana, eles iriam a um casamento em Monpellier. Decidi, que no dia seguinte iria para Périgueux, visitar Karim e Rachel, o casal que eu recebera a pouco mais de um mês na minha casa.

No almoço na casa dos sogros de Cleide comemos confit du canard, regado a vinho tinto como aperitivo. A sobremesa foi um delicioso creme de morango com vinho branco. Em seguida saímos para um tour a uma região denominada Béarn des Gaves que compreende três pequenas cidades medievais: Navarrenx, Salies-de-Béarn e Sauveterre de Béarn.

Visitamos primeiro Navarrenx, a 40 km de Pau. Construída por ordem de Henri II de Navarre em 1316 é considerada praticamente o único exemplo da arquitetura militar do século XVI. A cidade é cercada por uma sólida muralha que me fez lembrar da Fortaleza de São José de Macapá. Aproveitei para contar à Marie a história da invasão francesa ao Amapá, e acabei fazendo a piada costumeira: a de que eu escapei de ser francesa. Se não fosse a bravata de um brasileiro chamado Cabralzinho, que expulsou os invasores, a regiao do Amapá pertenceria à Guiana Francesa.

O passeio foi rápido, procuramos o Departamento de Turismo, mas este, como a maioria das lojas, fecha nos dias de segunda-feira. O máximo que conseguimos foi um misto de papelaria e lanchonete onde comprei alguns cartões postais. Fizemos algumas fotografias e seguimos viagem.

Fomos até Sauveterre-de-Béarn, uma cidade medieval do século XII, cuja lenda mais marcante é sobre a velha ponte de onde os nobres medievais atiravam as mulheres suspeitas de traição. No departamento de turismo pegamos alguns folhetos que oferecem muitas atrações. No mês de outubro o destaque é para uma feira que reúne degustação de produtos astronômicos e festa medieval à fantasia. Há ainda atividades esportivas: enduro de motocicleta, canoagem e pesca nas corredeiras do Oloron.

O tempo que dispúnhamos era curto, nos contentamos em fazer um tour a pé pela cidadela, uma parada na igreja de Saint André. Ao lado, como na maioria das cidades francesas, havia um monumento aos mortos da guerra. Cleide brincou de se deixar fotografar fingindo chorar diante do monumento. Marie não gostou da brincadeira, isso é sagrado protestou! O clima ficou tenso, sentamo-nos no terraço de uma lanchonete e tomamos um diabolo ment para refrescar do calor e espairecer o clima ruim que se estabeleceu.