Lágrimas de tristeza pelo martírio do nosso rio
Socorro Costa


É apenas um desabafo.

Outro dia o vi escutando música e contemplando o rio Amazonas lá no barzinho do Trapiche Eliezer Levy e pensei: "ele não sabe o que acontece com o rio fora desse pequeno e privilegiado trecho à sua frente, à frente de nosso padroeiro São José". Pensei em você como porta-voz do rio, pela sua credibilidade e extraordinária sensibilidade às coisas belas da vida.

Estão matando o nosso rio e ninguém faz nada, nenhuma campanha de conscientização. No parquinho em frente ao Hotel Macapá, o rio é o depósito de lixo natural de latinhas de cerveja, de restos de alimentos e das terríveis embalagens de "micos" que levam milênios para se deteriorar.

Pobre rio Amazonas... me revolta, me enoja e me envergonha a cena que me deparo todos os dias quando saio as 6 horas da manhã para caminhar pela orla e vejo a quantidade de lixo espalhado, tanto fora (na beirada da calçada) quanto dentro do rio; lixo deixado pelos donos dos bares e pela população que faz do rio a sua lata de lixo. Pobre rio... imagine quanto veneno ele terá que engolir por ocasião do carnaval fora de época que se aproxima, quando metade da população de Macapá irá se divertir às margens de nosso indefeso rio Amazonas.

NR - Sopcorro nos mandou um e-mail como um "simples desabafo". Mas sua dor é tão pungente que o simples desabafo se transforma em uma crônica carregada de uma santa indignação, contra atitudes de pessoas que enfeiam o mundo, que matam o rio.

Resolvi publicá-la aqui, nesta seção, onde outras pessoas de tanta sensibilidade quanto a de Socorro vão ler, e se juntar à ela na tomada de uma atitude para que as coisas mudem. A indignação por si só, já é um começo.

Corrêa