A revolução da esperança

Algo muito grande está prestes a acontecer no Amapá. Nunca o Estado esteve tão quieto, tão frio, com olhares tão vazios. Há um suspense no ar.
Nas ruas a expectativa é para o vazio, o nada, o "não sei". Nas instituições do homem a melancolia é visível, a repulsa é constante, calada. Nos bares as palavras tornaram-se inaudíveis, apenas os sussurros são percebidos. A esperança está contida, porém, pronta para explodir. Não há gritos, só o silêncio. É como se estivesse em curso uma conspiração da natureza, sem que o próprio homem a percebesse. Um processo de incivilidade legal contra o mal estabelecido.

Assim é o clima que antecede a pororoca: o rio baixa, as águas se acomodam, os bichos calam e não se vê uma sombra no ar. É a natureza se preparando para uma revolução. De repente, então, ouve-se um ronco. É ela!
Branca como a paz e com a força de um deus, surge no horizonte do rio para varrer as margens mais sujas da natureza. Assim vai acontecer no Amapá, em breve.

Será uma insurreição lenta, porém, branca! Sairá aos poucos, em pequeninas doses, do fundo do coração para embriagar a alma. E tomará as ruas, invadirá os bares, os lares, terá proporções e encanto. As idéias serão revolvidas, os ideais instigados, as força refeitas, os sonhos acordados. E quando a gente nem bem esperar...BUUUUMMMM, ela estoura! E veremos pedaços de medo, de angustia, de revolta, de indignação, de submissão, todo o vazio indo para o espaço.

Nesse momento, nossos corações se encherão de amor e risos, de amor e flor. Os olhos ficarão esbugalhados de alegria. Ao mesmo tempo, outros homens nada entenderão. E fugirão, indo procurar abrigo no pântano de seus corações onde habita o egoísmo.

Aí, voltaremos a sorrir de verdade, e carregaremos por séculos a alegria de que nossas crianças - futuras guerreiras da esperança - crescerão livres, certas de que todas as manhãs terão o brilho e o verde das manhãs de verão.

Fernando Costa de França
Maio de 2004.