Igualdade nas pegadas
de Ana Pires

Ana Pires - Artista Plástica
Foto: Val Fernandes


Uma amapaense de 30 anos, Ana Pires, vive com a cabeça no mundo das artes. Inventando novidades ela acredita que as pegadas são a prova de que os seres humanos são iguais. E se olharmos de perto Ana tem razão. Pegadas na areia, na terra úmida, na calçada fresca, na tela... ôpa! Na tela? É isso mesmo, Ana faz com que a pessoas caminhem sobre a tela pincelada com uma massa reciclada, desenvolvida por ela, deixando suas pegadas. Então surge a obra "Raça - O Respeito às Diferenças é a Marca da Igualdade".
A artista plática explica que se trata de uma arte conceitual, de fundamentação pós-moderna. Tudo muito subjetivo e profundo como a mensagem que Ana quer passar: "As pegadas são iguais, independente de quem as deixa. Através das pegadas você não consegue diferenciar o negro do branco, o homem da mulher, o padre do homossexual, o pastor do governador". O trabalho de Ana é fruto de pesquisa com material reciclável, lixo, experimentos com texturas e muita sensibilidade desenvolvida ao longo de 12 anos de carreira.
Tanto tempo e uma alma inquieta. A artista diz: "Ainda não consegui me encontrar porque tenho muita coisa para colocar para fora". A cada obra uma surpresa na utilização de matéria prima barata e elementos da cultura popular como o marabaixo e o batuque, a influência das etnias e a presença da percepção do meio ambiente generoso da Amazônia. Generoso e farto, na última edição da Feira do Desenvolvimento Sustentável, em setembro passado, Ana montou uma amassadeira de açaí e fez o povo amassar a deliciosa frutinha como parte de uma instalação artística. Foi um sucesso!
As obras de Ana Pires estarão expostas até o dia 23 de novembro no Centro de Cultura Negra, localizado no bairro do Laguinho, em Macapá, como parte das comemorações pela Semana da Consciência Negra. A artista plática faz parte do grupo Mel e Lata e suas obras podem ser adquiridas através do telefone (096) 9111-7320.

Márcia Corrêa