Da lenha à energia solar.

'Passei pelo jornal feito à mão, na caneta, diagramado no olho.
Depois cheguei ao mais moderno onde o texto saía de uma velha máquina de escrever e a composição era manual, assim como um passarinho que fica bicando a ração que alimenta.

Isso lembra o dia em que escrevi a primeira e única matéria para o jornal "O Guaporé ", em 1967 quando o jornal me mandou cobrir a visita do general Médici, aquele do "noventa milhões em ação", lembram? Pois é, o que um jornalista e pai de família não é obrigado a fazer para ganhar o seu, honestamente. Maurício era meu amigo, dono do "O Guaporé", de Porto Velho, e não tinha repórter. Atendi o amigo, e depois da visita fui para a redação fazer a matéria. A máquina que me deram, e só tinha uma, era mais antiga que as que eu conhecia, mas o pior é que eu batia em uma tecla e ela pulava mais três. Acabei escrevendo o texto à mão, e descobrindo que a composição era manual. Azar do homem da composição. Mas aí a coisa engatou no título que seria a manchete da primeira página. Eu queria que o título fosse:"Médici abre sinal verde", o medo da ditadura era tanto que me fizeram uma sugestão de mudança e a manchete ficou assim: "Presidente Médici libera verbas para a rodovia ". Fazer o que?

Depois disso passei pela composição em Linotipo, e finalmente cheguei ao computador e impressão à laser. Agora estou aqui escrevendo um texto que vai para a Internet e daí sabe Deus para onde. É uma experiência nova mas bonita, e para quem vem da locomotiva à lenha, uma movida à energia solar tem diferenças mas para melhor. Então vamos em frente.

( Antonio Corrêa Neto ) 12-11-2001