Não basta ser mulher.


A esperteza da campanha da governadora Roseana Sarney parece ainda não ter sido percebida pelos seus concorrentes. Roseana está insistindo nos índices de aprovação de seu governo no Maranhão, aparecendo nas peças do PFL como uma mulher dinâmica que resolve tudo e que vai resolver os problemas brasileiros. Isso deverá ser colocado no seu devido lugar quando o período legal da campanha chegar, e alguém mostrar ao Brasil que o Maranhão que Roseana e o PFL governam tem 64 por cento de sua população vivendo abaixo da linha da miséria, segundo dados publicados pela FGV – Fundação Getúlio Vargas, e mais ainda, como se não bastasse ter o maior índice de miséria do país, o estado governado por Roseana Sarney detém igualmente o mais alto índice de mortalidade infantil do Brasil. No Maranhão morrem cerca de 57 crianças por mil nascimentos antes de completarem o primeiro ano de vida, segundo dados do SUS – Sistema Único de Saúde. Mas é aí que está a esperteza. Para esconder esses dados e muitos outros, como o envolvimento em processos da SUDAM, a campanha de Roseana está plantando a idéia de que é o machismo que provoca resistências à sua candidatura. E não é não.

A questão agora não é apenas eleger o Lula ou o Serra ou o Ciro ou Itamar. O problema é salvar o Brasil da Roseana e do PFL porque eles são muito ruins. E dá para explicar: há quarenta anos, no mínimo a família Sarney domina a política no Maranhão e ainda hoje o estado apresenta esses lamentáveis dados que comprovam o atraso. E aí, se a promessa que dona Roseana vem fazendo se concretizar, ela vai fazer com o Brasil aquilo que eles fizeram com o Maranhão. E então estaremos regredindo..

A resistência não é contra o fato de dona Roseana ser mulher, como sua campanha vem pregando e sim pela história política que ela e seu partido, o PFL carregam

O Maranhão deve ser – e isso pode ser medido à olho nu – o estado com o maior fluxo de retirantes do país, e ninguém deixa sua terra se tiver um mínimo de condições para viver nela. Lá, algumas prefeituras adotam uma prática curiosa, montando escritórios e exportando a fome, a miséria e o desemprego. E como? É simples, esses "escritórios", geralmente localizados nas próprias prefeituras recebem as famílias desesperadas, entregam passagens, uma pequena ajuda de custo e as mandam para o Amapá, conforme depoimentos de migrantes maranhenses prestados à programas de rádio em Macapá. É evidente que isso joga por terra os "argumentos"de modernidade, de dinamismo e de competência que o PFL quer oferecer. Aliás, se a gente voltar um pouquinho no tempo vai lembrar que fabricaram um robô político que andava depressa, falava em modernidade, dinamismo e competência. Lembram quando ele dava socos no ar e gritava: minha gente! E deu no que deu.


(Corrêa Neto)