De Cabral a FHC, muito pouco mudou.

Tudo começou quando Cabral botou os pés na Terra de Santa Cruz. Junto estavam os degredados, e entre eles alguns dos antepassados de muitos políticos do Brasil de hoje. Os eleitores já se encontravam na praia, pelados e felizes, enquanto os ancestrais dessa espécie sobrevivente que ainda nos oprime preparavam o primeiro showmício, que teve fado, balada e ato religioso. Não tinha urna nem voto de papel ou eletrônico, mas os espelhinhos, as contas, os colares de pérolas falsas, rolaram soltos, do mesmo jeito que os políticos de hoje distribuem cestas básicas, notas de cinco ou de um real na compra do voto que garante o poder, a impunidade e a riqueza muitas vezes. Os portugueses só precisavam da simpatia dos nativos e conseguiram.

Pedro, o Cabral, se apresentou aos eleitores devidamente maquiado, cabelos pintados, chapéu de bico, e trajes multicoloridos. Como ainda não existia televisão, o comandante da frota foi mostrado ao vivo; era a versão masculina da madre Teresa de Calcutá da época. O povão pelado vibrou e os portugueses tomaram conta do pedaço.

E aí começou o faz de conta da política nacional. Os brasileiros se acostumaram a aceitar tudo o que a midia mostra, sem qualquer preocupação com o que pode estar por trás da figura glamurosa produzida pela propaganda. Depois de Cabral não foi difícil para Caramuru provocar um estrondo, ganhar o apelido e a filha do cacique. Mais tarde vieram os caçadores de ,marajás, os intelectuais e similares. Bastava ser mostrado na televisão para ganhar aprovação popular e a Presidência da República, governos ou prefeituras, vagas no Senado, Câmara dos Deputados e por aí. E o povo batendo palmas. Até os 54 milhões que vivem abaixo da linha da pobreza, passando fome, se encantam com as figuras bonitas que aparecem na tv, mesmo que elas façam parte do grupo responsável pela miséria.

Com o que vem aconteendo nos últimos dias na campanha presidencial que já está nas ruas, não é dificil perceber que de Cabral até FHC só mudou uma coisa: antigamente eles enganavam o povo com quiquilharias, hoje nem isso, hoje eles enganam simplesmente através de peças publicitárias veiculadas pela televisão. E o povo acredita !!!