A PRAÇA DA BANDEIRA


Texto de Nilson Montoril de Araújo
Fotos: J. Silva


A primeira intenção dos gestores públicos amapaenses em urbanizar a área da Praça da Bandeira ocorreu em 1958, após o acidente aéreo que ceifou a vida do dr. Coaracy Nunes, deputado federal; dr. Hildemar Maia, promotor público e suplente de deputado e do piloto Hamilton Silva. Tomado de grande comoção, o governador Pauxi Gentil Nunes mandou erguer um singelo monumento, que compreendia um pedestal, encimado por um mapa do Território e, sobre este, três colunas partidas, simbolizando a perda dos ilustres homens públicos. O monumento ficava em frente ao Colégio Amapaense, quase esquina com a rua General Rondon. À época, o espaço comportava um campo de futebol, onde os alunos do Colégio realizavam suas atividades esportivas. Em tempos mais recuados, pelos idos de 1929, o local, que servia como passagem de animais, viu transitar o ilustre general Cândido Mariano Rondon, que iniciava o levantamento topográfico para a construção da estrada de rodagem Macapá-Clevelândia do Norte. Uma velha trilha utilizada por tropeiros ruralistas e soldados, que buscavam o interior ou dele procediam, serviu de traçado preliminar. O trecho também atendeu as necessidades do padre Júlio Maria Lombaerd, mas suas idas ao "Retiro Santa Maria", uma fazendola da Congregação da Sagrada Família. Por volta de 1940, a área da praça pertencia à empresa aérea Panair do Brasil S.A., cujo campo de pouso estendia-se da atual Tiradentes ao último trecho de terra firma por onde passa a rua Professor José Barroso Tostes.

A praça idealizada por Pauxi Nunes, nominada como "Praça da Saudade", não ganhou a forma desejada. Por ocasião da gestão do governador Luiz Mendes da Silva, o terreno foi limpo, nivelado e rotulado como "Praça Cívica". No entanto da praça construiu-se uma estrela de cinco pontas, tendo ao meio um pedestal e um mastro. A inauguração dia 19 de novembro de 1964 atraiu grande número de populares e concentrou estudantes, soldados da Guarda Territorial e reservistas do Tiro de Guerra 130. O palanque, então construído em madeira e coberto com telhas de zinco, já não era desmontado. No governo do general Ivanhoé Gonçalves Martins, a área passou por mudanças. Foram construídas calçadas circundando a quadra, plantou-se grama, pavimentou-se dez faixas retangulares, cinco faixas em cada lado da praça, onde deveriam ficar os escolares, soldados, escoteiros e demais entidades. No centro, fez-se uma passarela no sentido FAB – Iracema Carvão Nunes, que passou a ser trilhada pelas autoridades até uma área cimentada, onde havia um mastro e uma tribuna. Tanto a passarela como a área do cerimonial cívico, eram, lateralmente ornamentadas com plantas. Na quadra oposta, fora edificado o Palácio do Setentrião e o prosaico palanque desapareceu do cenário.

A forma atual da praça, data do primeiro governo do comandante Annibal Barcellos, com alguns retoques em outras gestões. O novo aspecto da praça merece encômios, afinal de contas, o local estava degradado e não se constituía em ponto de atração por falta de segurança. As flores que ali vicejam, fascinam a todos. O prefeito João Henrique, que a transformou num belo jardim sabe disso e, certamente, adotará o mesmo procedimento para as demais de Macapá. A capital Tucuju merece flores.