Televisão
Especialistas desaconselham "Big Brother" para crianças.


Informação: AESP - Associação de Emissoras de Rádio e Televisão do Estado de São Paulo - 09/01/2008

Folha on Line - Ilustrada

08/01/2008 - 16h40
ALBERTO PEREIRA JR.
da Folha Online

Histórico de erotismo, pouco conteúdo e exibição de valores questionáveis são algumas das razões apontadas por três especialistas ouvidos pela Folha Online para que as crianças não vejam o "Big Brother Brasil 8". O reality show tem estréia prevista para esta terça-feira (8), na Rede Globo, com classificação indicativa para maiores de 16 anos.

Para a professora Maria Silvia Pinto da Rocha, das faculdades de educação e psicologia da PUC-Campinas, em sua oitava edição o "BBB" não deve trazer nenhuma surpresa. "Os participantes são escolhidos para manter um certo padrão, de fórmulas já testadas nas outras edições", disse Rocha.

Especialista em psicologia escolar, ela afirma que este tipo de programa expõe prematuramente as crianças a uma série de questões como a erotização. As discussões "superficiais" entre os participantes reforçam esse sentimento, afirmou Rocha.

A influência do reality show no público infantil também é motivo de preocupação para a professora de psicologia Claudia Stella, da Universidade Presbiteriana Mackenzie. Segundo a doutora em educação, este modelo de atração "é complicado, principalmente, para a criança", que ainda está adquirindo as noções do que é fantasia ou real.

O "Big Brother Brasil" vende a idéia de "show da realidade", mas na verdade é "uma luta, sem princípios, por dinheiro", afirma Carlos Ramiro de Castro, professor e presidente da Apeoesp (Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo). O vencedor da disputa recebe R$ 1 milhão.

Ele diz acreditar que o programa não tem nada de educativo e "prejudica a formação da criança", porque a expõe a uma competição sem valores morais.

Os três entrevistados não aconselham que o público infantil assista ao "BBB 8". Claudia Stella considera importante os pais respeitarem a classificação etária da atração. Para ela, o adolescente tem mais "condições" para perceber de que se trata de um programa, com "edição das imagens".

O horário do "Big Brother" (exibido após a novela "Duas Caras") já é a primeira restrição às crianças, disse a professora Maria Silvia. Ele "não é adequado para a criança, do ponto de vista da rotina e do cotidiano". Além disso, afirma ser recomendado aos pais encontrarem outras opções de lazer para seus filhos.

Carlos Ramiro diz acreditar que escola, família e meios de comunicação devem dialogar para enriquecer a educação infantil, "o que não é o caso de um programa como o 'BBB'".

Procurado pela reportagem, o MEC (Ministério da Educação) disse não ter nenhum alerta sobre o "Big Brother Brasil". O Ministério da Justiça vai monitorar o reality show por 30 dias para se certificar de que cumpre com as normas da classificação indicativa.