Peste moral

Jornal Pequeno - Maranhão
16-1-2008

O grupo político do senador José Sarney conseguiu, finalmente, infectar o Maranhão com o vírus da desonestidade mórbida, todas as bactérias do banditismo engravatado, alastrando uma epidemia capaz de dizimar a imagem do Estado com uma peste moral cujo bacilo tem origem nas campanhas políticas que patrocina. E podem estar certos de que há mais, muito mais bichos estranhos debaixo de todo esse lamaçal movediço.

Os casos Fernando e Edinho são apenas parte de uma praga que nos inocula de vexames e vergonhas a ponto de lembrar as hemorróidas nas partes secretas que, segundo a Bíblia, por castigo do Senhor, acometeram os filisteus.

A imagem de ratos sarneisistas roendo dinheiro no Maranhão e sua associação com pragas como as pestes de Atenas, de Siracusa, a Antonina, a do século III, a Justiniana e a do século XIV, são inevitáveis. Porque estão nos matando de vergonha.

Sobra a impressão de que as pessoas que durante quatro décadas governaram o Maranhão nunca cumpriram um único mandamento das Leis sobre Crimes Financeiros e Eleitorais. E chega a ser deprimente que tentem desviar o foco dos verdadeiros criminosos dando notícias de prefeitos envolvidos com a lei, de violência, recordando o caso Gautama e culpando a imprensa por noticiar a epidemia de desonestidade, agressão à ordem jurídica e ao regime democrático, aos interesses sociais e individuais indisponíveis com que atacam o Maranhão.

Não há como esconder a verdade. Está provado que o sarneisismo desconheceu, em toda sua história, os princípios da legalidade, impessoalidade, moralidade e publicidade, relativos à administração e enfiou com vontade a mão no cofo do dinheiro público e das doações particulares.

A corrupção é um vírus que se multiplica com impensada velocidade dentro do organismo estatal. E maior é sua capacidade de reprodução quando se trata de um organismo doente, alcançado por infecções financeiras sucessivas, como as provocadas pelo vírus do sarneisismo no Maranhão.

A associação com as pestes históricas e epidemias é compreensível, pois não sabemos se de fato lidamos com um grupo político ou com uma colônia de bactérias patogênicas e vírus inoculados propositadamente para atuar no coração econômico-financeiro do Estado.

O contra-ataque aos vírus tem que ser rápido. É preciso não esquecer que eles costumam desenvolver anticorpos contra medicamentos como cadeia e condenação. Em outros casos, se reproduzem até que a dose de medicamento se torne insuficiente.

E no caso dos tipos de vírus e bactérias, que tratamos aqui, o único remédio eficiente parece ser o rigor da lei. Apliquem.