A AGONIA DO ARAGUARI

POR MAMEDE LEAL SIQUEIRA*

A mais dura verdade é aquela que não se quer ouvir, ou melhor não se quer ver, pois ver e não falar é se omitir, e aceitar, isto é feio e é ser complacente e conivente com o que vem sendo feito ,ao longo de um dos mais belos rios do nosso Estado, cantado em verso e prosa pelos nossos poetas, cantores e compositores, o rio ARAGUARI, este rio encantado esta sofrendo uma das mais graves agressões ambientais dos últimos anos, que podem ser observados, na sua foz pelo assoreamento, e ao longo de suas margens pela queda das matas ciliares, causadas pelas seguintes atividades: a construção da HIDRELETRICA DO PAREDÃO, A EXTRAÇÃO DO SEIXO NO LEITO DO RIO, E A CRIAÇÃO DE BUFALO AO LONGO DO SEU ESTUARIO. Ao longo destes anos como técnico e conselheiro do meio ambiente tenho alertado, e cobrado medidas de ordenamento e novas condutas de normas que amenizem os impactos ambientais lesivos ao meio ambiente destas atividades, exigindo dos condutores destas, responsabilidades na condução da operacionalizarão das medidas de concepção a observância de normas diante destas atividades bastante lucrativa. Mensurar e avaliar os estragos feitos pela ação antrópicas nos ecossistemas lacustres da bacia do rio já temos, como indicativo a economia dos pescadores afetadas, na diminuição do cardume de peixes, devido a eliminação de mururézais, criadouros dos peixes causado pelos búfalos, a mudança na paisagem, com um grande volume em hectares de algodão bravo tóxico, kilometros de canais que drenam as aguas no verão e causam a morte de milhares de peixes, exemplo do pirarucu, sem esquecer a mudança no paladar do nosso apreciado támuata. No caso da retirada do seixo do leito do rio, é bem visível a queda e desbarrancamento da mata ciliar das pequenas ilhas e margens do rio, sendo afetado os criadouros de peixes que fazem suas desovas, nas margens das enseadas que são destruídas pelos jatos de maracá usados no processo de retirada.

Outro grande problema ambiental latente e demorado que o empreendedor deve se preocupar em fazer parceria com as instituições, para um estudo minucioso é, os impactos causados pela hidrelétrica do PAREDÃO que tem contribuído para uma menor e lenta vazante, deixando seus sedimento formando bancos de areia ao longo do percurso e em sua foz, causando o arrasamento do mesmo, deixando aspecto de assoreamento da sua foz, o deixa o nosso rio em agonia. Não quero causar desconforto aos que tem essa atividade econômica para o estado, mais como simples militante das causas ambientais, estou alertando para que todos nós, façamos algo para que as futuras gerações, não se envergonhem de nós, estamos fazendo nossa parte .

* é téc da SEMA, e ambientalista do PV/AP