Sigatoka Negra em Rondônia


A banana é uma das frutas mais produzidas no mundo, sendo cultivada em mais de 120 países, tendo o Brasil como um dos principais produtores mundiais. Em Rondônia, a banana ocupa lugar de destaque, apresentando-se como uma das principais frutas cultivadas no Estado. Entretanto, esta cultura é atacada por diversas pragas e doenças, tendo a sigatoka negra como o principal problema. Esta doença é causada pelo fungo Mycosphaerella fijiensis Morelet, estádio anamórfico Paracercospora fijiensis (Morelet) Deighton.

Considerada a mais grave doença da bananicultura mundial, a sigatoka negra foi descrita pela primeira vez em 1963, no distrito de Sigatoka, nas Ilhas Fiji. Foi detectada no Brasil em fevereiro de 1998, nos municípios de Tabatinga, Benjamin Constant e Coari no Amazonas. Constatações posteriores foram observadas nos Estados do Acre, Rondônia, Pará, Roraima e Amapá. Em Rondônia, a presença da sigatoka negra foi detectada em fevereiro de 1999 nos municípios de Extrema e Porto Velho e, posteriormente, em outros municípios do Estado, como por exemplo: Machadinho do Oeste, Ouro Preto do Oeste e Rolim de Moura.

A Embrapa Rondônia, em parceria com a Agência IDARON, vem realizando o mapeamento da ocorrência de sigatoka negra em Rondônia, tendo sido coletadas, até o momento, 504 amostras em 29 municípios do Estado. Foram feitas as coletas de amostras de folhas de plantas com prováveis sintomas de ataque de sigatoka negra em áreas de produtores distribuídas nas diferentes regiões do Estado. As amostras foram coletadas nos municípios de: Alta Floresta, Alto Alegre, Alto Paraíso, Alvorada do Oeste, Cabixi, Cacoal, Castanheiras, Chupinguaia, Cujubim, Espigão do Oeste, Governador Jorge Teixeira, Guajará-Mirin, Jarú, Ji-Paraná, Machadinho do Oeste, Ministro Mário Andreaza, Mirante da Serra, Nova Brasilândia, Novo Horizonte, Ouro Preto do Oeste, Parecis, Pimenta Bueno, Porto Velho, Presidente Médici, Rolim de Moura, Santa Luzia do Oeste, São Felipe do Oeste, São Miguel do Guaporé e Seringueira.

Dentre os 29 municípios avaliados até o momento apenas cinco tiveram amostras negativas quanto à presença da sigatoka negra, ou seja: Alto Paraíso, Guajará-Mirin, Mirante da Serra, São Felipe do Oeste e São Miguel do Guaporé. Entretanto, esses resultados não asseguram a ausência do patógeno nestas áreas. Fazem-se necessárias novas coletas, com número maior de amostras, para confirmação dos resultados obtidos, visando com isso comprovar a presença ou não do patógeno nessas áreas.

Estes resultados vêm demonstrar a necessidade de ampliação do conhecimento sobre a ocorrência da doença nos diferentes municípios do Estado, sendo para isso necessário a continuação do levantamento nas demais regiões de Rondônia. O mapeamento desta ocorrência fornecerá subsídios para estratégias de controle e prevenção contra o fungo causador da sigatoka negra, reduzindo, assim, os danos causados por esta doença à bananicultura do Estado.


Figura 1 - Folhas de bananeira, cultivar Prata Anã (A e B), mostrando sintomas do ataque de sigatoka negra.

Cléberson de Freitas Fernandes
José Roberto Vieira Júnior
Fitopatologistas - pesquisadores da Embrapa Rondônia