Em Defesa de Uma Gestão Pública Gerencial.


Macapá, 21/01/2008

Prezado Correa Neto, creio que a cidade de Macapá ao completar 250 anos já poderia ser administrada de forma mais gerencial e menos burocrática. Digo mais gerencial, pois percebo que o modelo de gestão desenvolvido pelo atual gestor, não busca serviços públicos eficazes voltados para a satisfação dos munícipes e sim uma gestão talvez que se busque talvez a eficiente, contudo não se percebe que tais serviços gerem efetivamente a satisfação e a melhoria da qualidade de vida dos cidadãos macapaenses.

Correa, a gestão pública gerencial foi introduzida no Brasil através da Reforma do Aparelho do Estado Brasileiro na década de 90, que trouxe no seu bojo uma reforma do modelo de gestão da administração pública, pois, até então tínhamos uma administração pública burocrática, ou seja, administração pública que buscava a eficiência dos serviços sem se preocupar muito com a satisfação da população brasileira.

É verdade que a reforma proposta ficou muito na teoria creio eu, devido a diversos fatores, pois, o então presidente Fernando Herinque Cardoso, ao propor no Brasil a Reforma do Aparelho do Estado é que se começou a pensar numa ruptura do modelo de gestão pública até então desenvolvido. Apesar das dificuldades, os avanços foram inegáveis, pois, alguns programas para proporcionar uma melhor dinâmica na administração pública tornando-a mais eficiente e eficaz foram implantados, como uma política de desenvolvimento de pessoas na esfera pública, a gestão da qualidade dos serviços públicos e Principalmente, o desenvolvimento de um orçamento público voltado para a resolutividade das necessidades da população brasileira e não somente a premissa em fixar receita e estabelecer despesa.

Diante desse contexto Correa, Macapá está muito distante na minha concepção de se tornar uma cidade sustentável, como a atual gestão pública municipal de Macapá utiliza como marketing governamental, quando ainda se percebe uma máquina municipal com serviços de baixa qualidade, sobretudo, na área da saúde, acessibilidade do passeio público, transporte público e principalmente o nosso trânsito. Se tais serviços citados não forem geridos visando à satisfação do cidadão, com serviços eficientes e eficazes, associado à redução de custo sem se perder a qualidade dos serviços, certamente não teremos heranças a deixar para as futuras gerações, pelo contrário, se não modificarmos esse modelo atual de gestão, as nossas futuras gerações também herdarão uma cidade com sua população cada vez mais doente, com extrema dificuldade de locomoção nas vias públicas devido as constantes ocupações desordenadas dos trabalhadores informais, com um trânsito caótico e vias públicas sem a devida manutenção, contribuindo para uma favelização da cidade.

Algo precisa ser feito, a começar por uma atitude política da Câmara Municipal de Macapá, que apesar de possuir prerrogativas legais, não demonstra ser um legítimo guardião do cidadão macapaense, passando a imprensão que faz pouco caso dos problemas urbanos. Bem que a CMM deveria reduzir os requerimentos de congratulação e demonstrar mais ação em defesa dos interesses públicos de nossa cidade, salvo raríssimas exceções.

Correa, caso esse cenário descrito acima não modificar, certamente a população esse ano terá disponível um importante instrumento legal que é o voto livre e consciente, para quem sabe, a partir de 2009, se começar a ver na cidade de Macapá, um novo modelo de gestão, com foco em uma administração pública gerencial, sempre buscando cada vez mais a eficiência dos serviços, porém, priorizando a satisfação e bem estar da população . Seria a meu ver um belo presente para Macapá nos seu 250 anos de existência.

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Regiclaudo de Souza Silva e Graduado em Administração de Cidades (FAMAP), Especialista em Docência no Ensino Superior (CETE) e concluinte do Curso de Especialização em Gestão Urbana (UNIFAP).