Autoridades vão ver condições de Serra do Navio

Autoridades dos poderes Judiciário, Legislativo e do Executivo estadual, estarão se deslocando no inicio da tarde de hoje (4), ao município de Serra do Navio. A comitiva de mais de 70 pessoas vai permanecer no município até a tarde de domingo, e participa do I Encontro da Fundação Serra do Navio (FSN), criada através do projeto de lei de autoria do deputado estadual Manoel Brasil (PMN), que foi aprovado pela Assembléia Legislativa (AL), na sessão do dia 29 de outubro do ano passado e sancionado pelo governador do Estado, Antonio Waldez Góes da Silva.

A comitiva cumprirá um cronograma de visitas que incluem o Parque Industrial, a ETA, o complexo comercial Serra Box, Igreja, Manganês Esporte Clube, Hospital, sistema de tratamento de esgoto além da localidade de Pedra Preta e Vila do Cachaço onde são produzidos artesanatos e biojóias pela comunidade. No domingo a comitiva visitará as áreas de reflorestamento no entorno das minas e a colônia de Água Branca.

O projeto que cria alternativas para a revitalização do patrimônio do município, abrangendo as áreas de intercambio e a formação de pesquisadores mediante a concessão de bolsas de estudo e pesquisa no país e no exterior; valorização e difusão de manifestações culturais e o desenvolvimento intelectual e esportes, foi publicado no Diário Oficial do Estado, do dia 18 de dezembro de 2007.

Estarão participando do evento de iniciativa do deputado Manoel Brasil, os deputados: Roberto Góes, Manoel Mandi, Eider Pena e o presidente da Assembléia Legislativa, deputado Jorge Amanajás, além do Secretário de Saúde, Infra-estrutura, Turismo, Meio Ambiente e os reitores da Unifap, Ueap e os presidentes do IPHAN e IMAP.

Segundo o autor do projeto, a fundação tem por objetivo promover a restauração, manutenção e gestão do patrimônio arquitetônico, histórico e cultural, além de promover ações de assistência à população abrangida, como forma de contribuir para o desenvolvimento da Vila Serra do Navio que foi criado em 1º de maio de 1992, através da Lei nº 007/92 e está localizada na parte centro noroeste do Estado do Amapá.

A cidade foi criada inicialmente para abrigar os funcionários da Icomi - Indústria e Comércio de Minérios, que firmou contrato de exploração do manganês amapaense por 50 anos, ou seja, até 2003. Entretanto, como esgotou a reserva antes do tempo previsto, a empresa deixou o local. Enquanto a sede estava sendo administrada pela Icomi, a vila era modelo de organização e eficiência em todos os setores. Representava a rede de maior projeto privado do Estado do Amapá. Tudo funcionava satisfatoriamente, pois os moradores não precisavam sair da vila para nada. Com relação ao atendimento médico, eram efetuadas cirurgias que até hoje não se realizam na capital.

Após a instalação do Município, a sede passou a ser administrada pela Prefeitura, mas devido as dificuldades financeiras, ficou difícil manter o padrão implantado pela Icomi, pois a manutenção de uma estrutura daquele porte demandaria bastante recursos. Por mais que o prefeito se empenhe, a cidade já apresenta sinais de decréscimo.

Com a saída definitiva da ICOMI e de sua parceira norte-americana a Bethlehem Stell, a decadência da cidade tornou-se ainda mais evidente. Serra do Navio conheceu um fenômeno novo: a favelização oriunda da miséria que grassava na bela estrutura, aparentemente estável. Mas, no geral, a cidade ainda é uma atração turística. A infra-estrutura lembra uma pequena cidade do sul do país. Sua fauna é bastante rica. É o único lugar no país que possui uma espécie rara de beija-flor: o brilho de fogo ou topazza pella.

Uma curiosidade que pode explicar o nome da cidade é, segundo os moradores, que o rio que passa em frente à cidade, se observado via área, possui a forma de um navio.