Macapá e a Beija-flor


Interessante analisar o que aconteceu no desfile da Beija-flor, escola a qual sou torcedora desde 1977: não vi Macapá representada nos seus 250 anos! Não vi o povo macapaense representado e muito menos a nossa tão rica cultura!

Agora ficam vários questionamentos: onde estavam representados o povo afro que é uma das bases de nosso povo? Onde estavam o Curiaú, a Fazendinha, o Araxá, Igarapé do Lago? Cadê o Formigueiro, Laguinho e Favela? E a "feliz" coincidência do beija-flor Brilho de Fogo que nem aparece por aqui e sim nas matas de Serra do Navio? Afinal, estavam falando de Macapá e seu aniversário ou do Estado do Amapá? Será que vir aqui é tão, tão distante quanto ir à Marte, como o comentarista falou? Será que a escola realmente prestou um "serviço" ao Brasil, mostrando as "belezas' existentes neste cantinho marciano do território brasileiro?

Lembro agora das palavras de Osmar Júnior em seu Sentinela Nortente: "Que nos vendam como de costume, nos arranquem o Brasil" e novamente várias perguntas ficam no ar: onde estavam nosso prefeito e coordenador de cultura da prefeitura que não estavam lá para defender nossa cultura? Cadê os representantes que deveriam agir no nosso interesse? Ah! Sim! Claro! Eles pagaram e a escola fez o resto!

EPA! De quem era o dinheiro? Meu, seu e de todo o povo macapaense que ficou até tarde para ver sua cidade apresentada para o mundo e, no meu caso, não a vi.

O carnaval é o carro chefe da Globo nesta época! Onde estavam os comentaristas que não pesquisaram sobre o que iriam comentar? A Arte "cunâni" que foi dita pela comentarista e que depois foi corrigida pelo próprio samba!

É! Realmente é interessante analisar o desfile.

Confesso que estou dividida: torço pela Beija-flor desde 1977, mas não sei se quero que ela vença pra não me sentir conivente com toda a falta de "algo" mais que não vi no desfile!

Então...

"Meus olhos negros índios se perdem

Encontram os limites do seu coração

Seus olhos verdes só me desprezam

Mas sinto os olhares de outras nações

Por quê?"


Betania Suzuki
Academica de Ciências Sociais
Unifap