A Beija flor negou nossa história

Édi Prado

Não fique tristinho, não. A história contada é sempre a do vencedor. Você estava esperando que os cariocas viessem contar a nossa história? Eles foram pagos para juntar, com dizia minha avó, " o útero ao agradável". Os cariocas não conhecem nem a própria história e eles vão contar a dos outros? Quando fiz jornalismo, em 1982, na primeira faculdade de comunicação do Rio, Hélio Alonso, todos os professores eram de outros estados. Não tinha um carioca para nem na recepção. Vocês não perceberam que o beija flor de fogo era apenas uma "deixa", um pretexto para que o prefeito/governo justificassem a vultuosa soma, deixada no caixa da empresa Beija-Flor, além das passagens áreas e outros mordomias de mais de 1000 "brincantes" que foram desfilar a vaidade com o dinheiro que vai fazer falta na merenda escolar, nos tapa-buracos, nos hospitais, nas rodovias, ruas e avenidas da cidade? Dinheiro para ampliar o sistema de enefia elétrica, água tratada esgoto e vacina contra a febre amarela? O que eles querem é colocar-se nas prateleiras, para serem adquiridos para outros cargos políticos. E o povo vai continuar votando neles, porque a Beija-Flor foi a grande campeã de 2008. E nós vamos comemorar? É a mesma coisa com a copa do mundo. Depois que teremina festa, vamos fazer o quê com o lixo que foi jogado na ruas? Catar para vender pra gente mesmo? Essas vitória anestesiam o povo, que esquece a dor para ficar alegre com a vitória dos outros e depois de tudo? O que vamos fazer da nossa vida? Onde tem trabalho, onde estão os recursos para investir na educação, na formação de mão-de-obra qualificada? Me diz uma coisa: Depois da vitória da seleção brasileira tua vida mudou em quê? Depois da vitória da Beija -Flor tua vida vai mudar em quê? E ficar se queixando pelos cantinhos não resolve em nada. O voto é a nossa arma, nosso escudo, nossa proteção contra esse anestesistas de plantão. E desde quando eles vão se preocupar com os negros e índios? Eles querem que cada um de nós se embriague com essa tolice de futebol e carnaval, fique de porre e vote neles de novo. Então vocês acrediram que carioca iria contar a história do Amapá para o mundo? Se até boa parte dos professores de história daqui do Amapá, alguns até famosos como historiadores, ainda falam em revolução de 64, que nunca houve e sim um golpe de Estado. Ainda dizem que Cabralzinho foi o herói do Amapá. Na hora que mais precisavam dele ele deu aquele grito famoso: Ou mato ou morro? é que na dúvida, diante dos franceses, não sabia se corria para o mato ou para o morro. E como no municíupio de Amapá não tem morro, só tinha o mato para fugir. E depois de tudo dizimado, destroçado, gente morta, casas em cinzas, ele chega perguntando pelo inimigo? O inimigo era ele mesmo. E agora vira herói? O Brasil foi descoberto pelo Amapá em 1499 e nunca vi um professor falando disso nas salas de aula ou defendendo esta verdade histórica. Vocês queriam o quê, mesmo? Falar de futebol ou de carnaval?