Valores invertidos

Estamos vivendo a era das inversões de valores. É pura barbárie cultural. Parece que as pessoas não dão a mínima para a retidão. Nunca antes na história deste país seu povo vivenciou tamanha falta de pudor dos homens públicos e o mesmo dos cidadãos no que concerne ao patriotismo.

Não temos referências. Do ponto de vista da formação de valores, parece que a família acabou. Pai, mãe, avó, avô, tio, tias viraram figuras decorativas a contemplar os estilos de vida ditatorial que suas crianças e jovens lhes impuseram. O grande sonho hoje de nossos pré-adolescentes se menino é tingir o cabelo com uma cor qualquer e colocar um brinco, se menina fazer uma tatuagem e colocar um “piercing”.

Acabaram com os grupos de Escoteiros. Com as colônias de férias, com os saraus de poesia, com os concursos de calouro no rádio e literários. Não existe planejamento para instruir os jovens no sentido da formação estruturada social e pedagogicamente na palavra honestidade. Essa é a palavra do terceiro milênio. Se chamássemos nossos homens públicos para conjugar esse verbo na primeira pessoa do presente do indicativo, não passariam no teste, posto que a imensa maioria dos políticos pátrios é composta de lacaios, corruptos e usurpadores dos recursos públicos.

Exemplo de ação inversa e inútil do poder público foi a infeliz idéia do secretário municipal de cultura de Macapá de capitanear recursos para a Beija Flor. Ninguém disse ou vai dizer o quanto se gastou em passagem aérea, em hospedagem, em ligações telefônicas para que o projeto fosse executado. Pergunta-se para que? Para nada, apenas para satisfação do prefeito fanfarrão e o egocentrismo do Sr. Sérgio Lemos.

Enquanto essa gente estava preocupada em agradar o largo sorriso do renomado cantor Neguinho da Beija Flor, as obras nas ruas esburacadas de nossa cidade estão abandonadas ou sendo executadas vagarosamente causando prejuízos financeiros aos empreendedores e desconforto a população. Nos postos de saúde falta seringa, gaze, esparadrapo, álcool....

Lanço um desafio ao Ilustríssimo secretario municipal de cultura a apresentar os projetos culturais do Município de Macapá amparados pela Lei Rouanet. Quando a escola de Nilópolis passou pela Sapucaí, levando ao mundo a beleza de nosso Estado e da nossa cidade, isso seria formidável e as nossas mazelas fossem todas resolvidas a partir de então. No mais depois da ressaca vê-se que nada mudou para os taxistas, para os jovens, para as donas de casas, para os donos dos hotéis, para os empresários, para o povo em geral.

Pois mesmo com o resultado da Beija Flor, nós já sabemos o que nos espera para os próximos anos. Continuaremos morando numa cidade com uma pífia agenda cultural, com apenas uma Biblioteca Pública, sem escola circo, sem pista de atletismo, sem estádio de futebol digno dos clubes e da torcida amapaense...

Tudo isso acontecendo porque nos esquecemos de aprender a diferença entre bom e mau e entre bem e mal. Esses significantes possuem significados desconhecidos de uma boa parcela da população brasileira, por isso, tudo que os homens públicos fazem acaba sendo absorvido sem maiores questionamentos.

Achamos tudo normal e batemos palmas, votamos e não nos educamos. Vê um político roubando ou em desvio de conduta é normal. A regra transformou-se em exceção, ser honesto nem pensar, o ideário dessa gente e enganar o povão e para tanto eles não medem conseqüência.

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