O “vosso” oligarca, o entrave do Amapá
* Por Nezimar Borges
Há tantos que escrevem sobre a história política
de um dos políticos prosselitista de maior envergadura conservadora,
senão o mais, o senador José Sarney. Embora, há
pouco mais de um ano, figurasse como figura centrada em exemplos a
ser seguido por grande parte dos conservadores, como paladino da moral
e da ética, agora, aético, na vala comum de outros e
com outros, como o governador José Roberto Arruda. Sendo o
maranhense, capa de conceituado jornal europeu “The Economist”
como exemplo de impunidade no Brasil. E no Amapá, que contribuição
este senhor assoma para grandeza deste povo?
No Maranhão foi governador de 1966 a 1971 e presidente da
República de 1995 a 1990. Seus apadrinhados comandaram, no
Maranhão, ações de políticas nada públicas
por mais de 40 anos, até 2004, quando do imbrólio com
o então governador José Reinaldo Tavares. Este último
rompeu com a família Sarney e agregados. O que causou furor
no oligarca, sendo a causa e efeito da derrota de sua filha ao governo
daquele estado em 2006. Porém, retomou no “tapetão”[ações
que move na justiça para tomar mandatos eletivos] o mandato
de Jackson Lago, este sim, governador legitimado pela via do sufrágio
universal na eleição daquele ano. O que soa como um
recado “grandioso” a quem se meter no caminho de suas
convicções políticas. Ocasionando, especialmente
em seus aliados, o medo e a ojeriza da metamorfose de um dia vir a
ser seu adversário. O que causa espanto: “Vixe Maria”,
dizia o caboclo com as poucas informações sobre, “o
homi é poderoso”. E, sobretudo, isto, merece parágrafo
a parte.
Exemplos, alguns não tão longínquos, outros
recentes e absurdos:
1- A farra de concessões de meios de comunicações,
rádios e tv´s em troca de votos para a extensão
de cinco anos de mandatos, quando, então presidente da republica,
2- Sua candidatura ao senado pelo Amapá em 1990, no momento
daquele ano, havia recentemente deixado a presidente da república,
consegue “permissão” da justiça eleitoral
para concorrer a uma vaga ao senado federal pelo estado do Amapá,
ferindo a constituição federal a qual versa que, um
político para concorrer a cargo no legislativo, deve comprovar
residência fixa pelo menos um ano antes das eleições.
Sarney não morava no Amapá, e é bom reforçar,
não mora e muito menos possui “residência fixa”
por estes lados tucujus;
3- A ação judicial que o oligarca moveu contra João
Capiberibe, depois que seu soldado, Gilvan Borges, perdeu a eleição
para o senado em 2002, seu empenho junto ao judiciário para
expurgar seu inimigo numero um no Amapá e no senado federal,
o socialista líder da oposição neste estado;
4- Os escândalos vindos a público decorrentes da operação
“Navalha”, da Polícia Federal, sobre os desvios
e superfaturamento de verbas do Aeroporto Internacional do Macapá
por seu amigo Zuleido Veras, até então, financiador
das campanhas eleitorais de sua família. As escutas telefônicas
gravadas pela policia federal são reveladoras e inquestionáveis,
segundo o jornal Estadão e Folha de São Paulo que publicaram
matérias a respeito das obras do aeroporto de Macapá
e do “assalto” aos cofres públicos do Maranhão
na gestão de Roseana Sarney.
5- Os escândalos dos atos secretos no senado, nomeando por
debaixo dos panos, amigos e familiares. E, para a surpresa de pessoas
de bem da sociedade amapaense, causou perplexidade ao saber que Lucas
Barreto foi descoberto pela mídia nacional, pendurado em um
ato secreto de Sarney, o qual usufruía de proventos de quase
nove mil reais, sem ao menos entrar uma vez por mês no senado
federal;
6- Entre outros escândalos não descoberto ou a interessar
pela mídia nacional, está a eleição do
medíocre Roberto Góes à prefeitura de Macapá,
o qual o velho Sarney, na incipiência e na incompetência
dos seus aliados, mobilizou grande parte do empresariado local e nacional
e políticos sem luz própria e submissos, fatos que foram
pertinente para ganhar as eleições na força do
poder econômico.
Mas o que preocupa aos mais informados amapaense é a sua
presteza de engarfar e raspar do fundo do taxo a quase totalidade
de políticos corruptos amapaenses para o seu “curral”
de “paus mandados”, satisfazendo a seu bel prazer de ter
marionetes comandando esse estado. O reflexo e a conseqüência
dessa submissão, como eram de se esperar, o caos governamental,
especialmente em relação à educação
e à saúde. Portanto uma conseqüência imediata,
escolas sem professor e sem merenda coincidem com a denúncia
feita pelo Ministério Público Estadual, o desvio, nesses
últimos seis anos, de duzentos milhões de reais da secretaria
de educação. Fato que causou o afastamento do secretário
de educação, Adauto Bittencourt, não pela via
do executivo, como era de se esperar em um governo probo, mas sim
pela mão do judiciário.
Não obstante o caos na educação estadual, no
último mês, o Amapá foi objeto diminuto no noticiário
dos grandes jornais como a Folha de São Paulo e O Globo, a
morte em tempo recorde de crianças recém nascidas na
maternidade da capital amapaense. Ademais o conceito de saúde
publica pelos amapaenses só vem ratificar a precariedade funcional
desta área tão importante para a grande massa que não
podem pagar um plano de saúde.
Todavia, em que pese o desenrolar e o desfecho das eleições
vindouras, dificilmente se verá a figura depreciada do comandante
da elite amapaense, em algum palanque da direita local. Reflexo de
seu histórico de vida pública totalmente divergente
dos interesses da maioria necessitada. Mas estará nos bastidores
conspirando contra os interesses que perpassam distantes da ética,
da moral e da probidade. Enfim, espera-se que seus desejos, que vão
ao encontro das maiorias, não sirvam como massa de manobra,
pelo menos, para aquelas pessoas conscientizadas, como por exemplo,
a esmagadora maioria dos professores do estado do Amapá, visto
que, estão mais próximos do que acontece na educação.
E que os ensejos do oligarca cessem com a eleição de
um governador que cause rupturas com as elites que hoje governam o
Amapá. Só dessa maneira se poderá vislumbrar
um futuro promissor para políticas públicas que vão
ao encontro das aspirações da grande maioria da população
amapaense. Caso contrário...
*Nezimar Borges– Tecnólogo e Professor