ARROZ NO AMAPÁ

O prato principal na mesa do brasileiro mediano no dia a dia o bom e velho saboroso feijão com arroz, sendo unanimidade do Oiapoque ao Chuí (não é mesmo, Marta ?). No ano civil de 2007, o Brasil colheu cerca de 11 milhões de toneladas de arroz que foram obtidos numa área de 2,9 milhões de hectares com um rendimento médio de 3.818 kg/há, sendo o campeão nacional em produção e rendimento médio o Rio Grande do Sul com 6,3 milhões de toneladas e uma produtividade de 6.740 kg/há.

Observando os Estados da região norte, temos o Pará como maior produtor com 368 mil toneladas, o Acre 28 mil e nossa querida concorrente em quase tudo Roraima com 111 mil toneladas. O nosso Amapá obteve duas mil toneladas em 2.600 hectares e rendimento médio de 840 kg/há. Em produção obtida ficamos em fona nacionalmente, e em produtividade batemos apenas o Piauí que ficou com 740 kg/há.

Essa produção de duas mil toneladas de arroz não chegou ao mercado consumidor,pois ficou para o consumo dos próprios agricultores. De acordo com ultima Pesquisa de Orçamento Familiar - POF realizada pelo IBGE, cada domicílio do Estado adquiriu cerca de 20 kg de arroz por morador/ano, sendo esse valor abaixo da média do norte que foi de 35 kg/pessoa/ano e abaixo do esperado pela maioria dos pesquisadores do assunto. A explicação veria com a constatação pela PNAD - Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios , que um numero significante de trabalhadores do Estado, principalmente em Macapá e Santana, passaram a se alimenta em restaurante próximo aos seus locais de trabalho ou no próprio serviço com a implantação do ticket alimentação (agora em dinheiro). A Pesquisa Anual do Serviço - PAS, também identificou um aumento surpreendente nos últimos anos no numero de pequenos restaurante na capital com alimentação a preços populares, o que fez com que houvesse redução na aquisição de arroz pelos domicílios.

Com a média de 20kg/pessoa/ano, significam que cerca de 12.000 toneladas de arroz foram adquiridos pelos de 121 mil domicílios do Estado no ano de 2007. Realizando uma estimativa rápida, os restaurantes devem ter adquiridos cerca de oito mil toneladas, totalizando 20.000 toneladas que vieram ao Estado de balsas.

Teoricamente para o transporte fluvial é necessário que a mercadoria seja acompanhada de notas fiscais, e fazendo um pequeno exercício, imaginamos que o kg do arroz seja em média R$ 1,00 real na nota fiscal, o que totaliza em 20 milhões de reais o valor do arroz importado. O preço do transporte fluvial é cobrado de acordo com a nota fiscal (em média 5 %) o que significa que um milhão de reais foram para pagos às empresas de transporte, e desse valor às mesmas devem ter recolhido cerca de 50 mil de ISS.

Quando esse arroz vai para o mercado, o preço médio vendido ao consumidor foi de R$ 2,00, que significam que os consumidores desembolsaram 40 milhões de reais, e que teoricamente cerca de 3,2 milhões de reais devem ter sido recolhidos de ICMS aos cofres da receita Estadual.(supondo que seja em torno de 8 % o valor do icms do arroz).

Com esse pequeno exemplo do arroz, podemos estender o mesmo procedimento para o feijão, batata, trigo, macarrão, tomate, cebola, açúcar e demais produtos consumidos e não produzidos no estado e imaginar a quantidade de recursos movimentados, a cadeia desencadeada pelos mesmos e a geração de empregos que esses comércios proporciona.

O frango é ainda mais interessante, pois a Pesquisa de Orçamento Familiar - POF, mostrou que o amapaense adquiriu cerca de 30 kg de frango/pessoa/ano. Esse consumo é o maior do país e significa que o Amapá importou cerca de 18.000 toneladas, e com o preço médio no mercado consumidor final em torno de R$ 3,00 o kg, só a carne de frango movimentou de 56 milhões no ano de 2007, isso sem levar em consideração, as partes nobres (coração, moela, peito) que são comercializada separadas e com preços mais elevados. Mais esse assunto da franga com mais detalhes fica para a próxima.