Família de Patrícia Melo quebra silêncio após três anos
Do jornal Diário do Amapá

Após três anos a família de Patrícia Melo fala sobre o caso. A mãe da modelo, Maria Zilda, disse que polícia pediu sigilo deles esse tempo todo

Ao tomar conhecimento do desfecho do caso, por meio de matéria do Jornal Diário do Amapá, nesta quinta-feira, 17, sob o título “Polícia culpa Montenegro pela morte de Patrícia”, a mãe da ex-acadêmica de jornalismo, Maria Zilda, se mostrou indignada com a demora na solução do caso e ao mesmo tempo aliviada pela conclusão do inquérito pela Polícia Civil do Distrito Federal.

Bastante emocionada durante entrevista ao programa Luiz Melo Entrevista, a mãe de Patrícia Melo, morta ao cair ou ser jogada do 14º andar do hotel Gran Bittar, há cerca de três anos, em Brasília, sem pronunciar o nome de Carlos Humberto Pereira Montenegro, lembrou que se tivesse dinheiro como o empresário tem o caso já teria sido solucionado.

Dinheiro em troca de silêncio

Outro fato comentado pela entrevistada durante o programa foi em relação às notícias de que por ocasião da morte da modelo o empresário teria, através de terceiros, sugerido que os familiares de Patrícia mudassem de endereço ou mesmo de cidade.

Maria Zilda esclareceu que uma pessoa identificada por Gregório de tal ofereceu em nome do empresário uma casa e uma quantia em dinheiro para que tudo ficasse do jeito que estava, mas em nenhum momento os familiares aceitaram a proposta, principalmente por serem pessoas humildes, mas honestas.
“Não sou eu nem a família da Patrícia quem está acusando e nem mesmo o jornal está acusando esse homem e sim a polícia de Brasília. Infelizmente a família não tem a condição que ele tem, pois com certeza se a família tivesse condições o caso não estaria assim”, ameaçou Zilda. A entrevistada lembrou ainda o caso da menina Isabella Nardoni, morta recentemente, fato que chocou o Brasil e que a mídia nacional não está dando sossego para que o caso seja esclarecido de uma vez por todas.

Durante a entrevista ao programa Luiz Melo Entrevista, Zilda Melo fez questão de lembrar que ao contrário do que algumas pessoas comentam, a família de Patrícia Melo não está parada. Segundo ela, por orientação da polícia de Brasília, todos estão calados porque a própria polícia pediu sigilo à família para não atrapalhar as investigações. Mesmo assim, por várias vezes a mãe da ex-acadêmica de jornalismo foi chamada à capital federal para esclarecimentos.

Ameaça - Ontem, duas ligações ameaçadoras foram feitas à direção do Jornal Diário do Amapá e à equipe de reportagem responsável pelo Caderno de Polícia.
Isso levou o diretor-superintendente Luiz Melo a registrar o Boletim de Ocorrência de número 3.720 na 6ª DP do bairro do Trem. O fato foi comunicado ao delegado Antonio Cardoso. A ameaça estaria ligada à matéria publicada pelo Diário do Amapá.

Os últimos passos da modelo no AP

A morte da modelo e estudante de jornalismo Patrícia Melo que hoje estaria com 23 anos de idade está próximo de ser esclarecida. A polícia do Distrito Federal concluiu o inquérito que já está sendo analisado pelo Ministério Público da ca-pital Federal. O MP deverá ofertar denúncia na próxima semana. Ontem a equipe de jornalismo do Jornal Diário do Amapá ouviu o relato de Maria Zilda, mãe da modelo sobre os últimos dias antes da viagem que seria a última na vida de Patrícia.

DA: Como surgiu a proposta de Patrícia viajar com Montenegro se ela havia pedido demissão da empresa?
Maria Zilda: No dia, 05, de janeiro de 2005 ele procurou minha filha para conversar. Ela estava aqui em casa cozinhando e ele a procurou. Eram aproximadamente 11h da manhã quando ele veio buscá-la. Os dois saíram e foram para a Orla da cidade conversar. Eu cheguei em casa por volta de 13h e estranhei a ausência dela. Eu liguei e ela disse que estava chegando com o ex-patrão. Meia hora depois eles chegaram e ele sentou no sofá da sala. Ele conversou e depois foi embora.

DA: E depois o que aconteceu?
Maria Zilda: Eu fui para o trabalho por volta de 15h e ela me acompanhou no trajeto. Patrícia me pediu para deixá-la ir na viagem com Montenegro. Ele teria a chamado para fazer a proposta de lhe auxiliar. A viagem seria de negócios. Depois de muito relutar eu finalmente deixei.

DA: O que aconteceu a seguir?
Maria Zilda: A patrícia chamou a Sandra que é irmã dela e as duas foram fazer compras para a viagem. Já na noite ela me chamou e pediu para que eu a ajudasse a arrumar as malas. Ela se preparou muito, fez o cabelo e as unhas...(Zilda chora emocionada). Por volta de 3h da madrugada já de quinta-feira, 06, Montenegro bateu na porta de casa. A Patrícia ainda pensou novamente se realmente iria. Ele entrou em casa e perguntou em tom enfurecido se ela havia desistido. Ele disse que tinha pagado a passagem dela e outras coisas. Minha filha disse então que iria. Dez minutos depois eles voltaram, pois ela havia esquecido a R.G. Essa foi a última vez que vi minha menina viva. Ele ainda pediu para que não disséssemos a ninguém que ele estava levando minha filha. Achei aquilo estranho.

DA: Na quinta-feira, 06, vocês tiveram contato com ela?
Maria Zilda: Eu tentei ligar durante o dia para ela, mas o celular não tinha cobertura lá. Não sabíamos o número dele. Só por volta de 20h é que ela ligou chorosa para a irmã. Nesse momento eu vinha chegando em casa e ela me passou o aparelho. Ela disse que tinha que falar rápido por que o telefone era do assessor de Montenegro conhecido como Gregório. Ele não sabia que ela tinha pegado o celular. A Patrícia disse que tava arrependida e que estava sendo humilhada por ele. Eu pedi para ela voltar e minha filha respondeu que viria na manhã do dia seguinte. Depois desligou.

DA: Quem avisou a família sobre a morte de Patrícia?
Maria Zilda: Às 6h da manhã de sexta-feira, dia 07 o telefone tocou. Eu vim atender e era ele. Eu perguntei por minha filha e ele disse que tinha uma notícia nada boa para me dar. No fundo eu pude ouvir um homem dizer para ele: - fala logo rapaz. Ele não falou e o homem nos fundos pegou o telefone e se identificou como policial. Foi ele quem disse: -senhora sua filha caiu do 14º andar do edifício. Eu apenas gritei e desmaiei. Foi isso desabafou a mãe.

A última imagem de Patrícia feita pelo próprio empresário no quarto do hotel mostra claramente que a moça não apresentava o mínimo sinal de que estava prestes a cometer suicídio. A mãe relatou ainda que Carlos Montenegro a levou para uma chácara onde acontecia uma festa. Ele teria passado a noite de quinta-feira, e madrugada de sexta-feira bebendo. Patrícia já havia retornado para o hotel. Ele havia chegado no apartamento do hotel Gran Bittar onde a modelo estava no final da madrugada. Testemunhas de um quarto ao lado afirmam ter ouvido uma discussão acalorada. Logo em seguida Patrícia Melo é encontrada morta no gramado do hotel.