Médicos recebem até 17 mil por plantões, denuncia Ruy Smith.

Dois anos após algumas denúncias sobre pagamentos de plantões médicos “fantasmas” na rede pública de saúde do estado, nenhuma mudança foi realizada. Médicos do contrato, do quadro federal e do estado continuam ganhando até R$ 17 mil, por mês, referentes a escalas de plantão médico e a sobreaviso.

A denúncia foi feita nesta quarta-feira, dia 23, na Assembléia Legislativa do Amapá, pelo deputado Ruy Smith (PSB). O parlamentar apresentou documentos que comprovam o significativo volume de recursos gastos pelo Governo do Estado com alguns médicos.

De acordo com a escala de plantão referente ao mês de março apresentada pelo deputado no setor de neurocirurgia do Hospital de Especialidade, por exemplo, os médicos Luiz Alejandro Cadena, Dorimar dos Santos Barbosa e Paulo Roberto de Carvalho Costa dividiram os plantões médicos e sobreavisos recebendo cada um mais de R$ 17,5 mil referente ao mês de março de 2008. Os três também são sócios em uma clínica particular.

De acordo com a escala assinada pelo próprio Alejandro, no período de primeiro a dez de março passado, ele (Alejandro) e Dorimar, trabalharam 48 horas seguidas dentro daquela casa de saúde por dois finais de semana seqüentes e ainda foram mantidos no plantão de segunda a sexta-feira. Além dos plantões noturnos nos dias úteis eles realizam (ou deveriam realizar) atendimento médico de 8 às 13 horas.

Mesmo parecendo absurdo Dorimar dos Santos foi ainda mais longe. O médico conseguiu permanecer no hospital do dia primeiro ao dia vinte na escala diária de plantão, que correspondem a três finais de semana seqüentes sem sair do HE. Ainda de acordo com a escala só o médico Paulo Carvalho teve a mesma disposição. Ele entrou nos plantões médicos dia onze, permanecendo até o dia 31 último. Já Alejandro retornou dia 21 permanecendo também até 31.

No ultimo dia 29, sábado, deveriam estar de plantão no HE os médicos Paulo Carvalho e Alejandro. Na portaria do hospital a atendente informou que apenas o médico de sobreaviso, Paulo André, se encontrava presente. Segundo a funcionária Alejandro só é encontrado no HE as terça-feira e quinta-feira, a partir das 16 horas, e Paulo Carvalho às sextas-feiras depois das 14 horas. A servidora disse ainda que era mais fácil encontra-los na clinica particular onde atendem. No dia seguinte, domingo (30) a informação prestada foi a mesma, ou seja, que os médicos mesmo de plantão não estavam no hospital.

A lista de médicos privilegiados com a farra de plantões inclui outros nomes como: Alberto Bezerra Pacheco, Ary César Peixoto, Cláudio Albuquerque, Ivani da Costa Coelho, João Henrique Souza Dias, Luciana Monteiro e Mario Nazareno Teixeira. O médico João Henrique Dias é o atual diretor do hospital. Além do salário e da gratificação pelo cargo, recebeu mais R$ 13.900,00 de plantões e sobreavisos.

Sem contar a folha de pagamento o governo do estado, através da Secretaria de Saúde, irá desembolsar R$ 1.780,300,00 com pagamento de plantões e sobreavisos referente ao mês de março. Até o final do ano serão R$ 21.363.600,00 somente para pagamento desses serviços. Segundo alguns profissionais da área da saúde esse montante daria para realizar a compra de uma série de medicamentos em falta nos hospitais do estado. O montante de recursos no final do exercício também é superior ao orçamento de várias secretárias de governo, entre elas a de Segurança Pública.

A denúncia provocou a reação até mesmo de deputados da base aliada do governo. Jorge Salomão (DEM), presidia a sessão, disse que enquanto isso a população não encontra médicos nos hospitais do governo. Salomão solicitou a Smith que os documentos fossem enviados a mesa e também a imprensa. Já o deputado Manoel Brasil propôs a ida do secretário de saúde do estado, vice-governador Pedro Paulo Dias a Assembléia para esclarecer essa situação.

Ruy Smith defendeu os médicos que trabalham e recebem honestamente pelos plantões realizados. No entendimento do parlamentar seria justo defender o aumento no valor dos plantões e sobreavisos, porém não admissível receber pelo trabalho que não foi prestado.