Zé do Pedal chegará a Joannesburgo no “Dia de Helen Keller”

“Evitar o perigo não é, a longo prazo, tão seguro quanto se expor ao perigo. A vida é uma aventura ousada ou, então, não é nada”. Helen Keller

O ambientalista brasileiro, José Geraldo de Souza Castro, Zé do Pedal, 52, chega a Joannesburgo no próximo dia 1º de junho, exatamente na data em que se comemora o “Dia de Helen Keller” e quando o Lions Clube, nos 205 paises nos quais está presente, comemorará o 42 aniversario de sua morte, uma mulher exemplo de perseverança. No total, somaram-se 17 mil quilômetros percorridos, rodados pela França, Espanha, Portugal, Marrocos, Saara Ocidental, Mauritânia, Senegal, Mali, Burkina Faso, Costa do Marfim, Gana, Togo, Benin, Nigéria, Camarões, Gabão, Congo, Republica Democrática do Congo, Angola, Namíbia e , finalmente, África do Sul. A concretização do sonho do aventureiro está apenas a quatrocentos setenta quilômetros do destino final.

Além de mais uma grande aventura de quem já pedalou por terras e águas, o objetivo principal da viagem é o de divulgar junto à comunidade internacional a campanha mundial do Lions Clube Internacional, "sigth first" (Visão Primeira), de combate à catarata e glaucoma, principalmente no trato de crianças menos favorecidas que apresentam esses males. Este compromisso ele cumpriu a cada quilômetro de sua jornada.

Zé do Pedal se encontra na cidade de Kimberley (concentração da Seleção Uruguaia na primeira fase da Copa) onde foi recebido por membros do Lions Clube local, conferiu palestra na Newton Primary School, participou da reuniao do clube, visitou as escola Re Tlameleng e Helen Bishop (patrocinadas pelo Lions Clube de Kimberley) para pessoas com necessidades especiais onde deu voltas com as crianças em seu kart a pedal, conheceu o Big Role (cratera aberta na terra para extração de diamantes) e sobrevoou a cidade, também a convite do clube.

O ambientalista sai de Kimberley pela Estrada N-12, passando por Warrenton, Christiana, Bloemhof, Wolmaransstad, Klerksdorp, Potchefstroom, Carletonville, Randfontein e finalmente Joanesburgo

Zé do Pedal reconheceu que sua viagem pela África não foi assim tão fácil. Roubado na Espanha, contraiu malaria, por duas vezes, em Gana e Gabão. No Saara tinha que ter o cuidado com as minas anti-pessoal e percorrer longas distâncias no calor do deserto, às vezes, sem encontrar um lugar para dormir; na Costa do Marfim e na Republica Democrática do Congo, a incerteza gerada pelas guerras civil. E, ainda, na Nigéria, sofreu duas tentativas de assalto.

Mas teve o lado positivo. Na jornada, Zé do Pedal foi surpreendido com a hospitalidade do povo africano. “Fiquei muito feliz com a receptividade. É um povo com característica idêntica a do brasileiro, principalmente na maneira de lidar com a adversidade”, admitiu.

A história de Helen tem tudo a ver com o trabalho de Zé do pedal. Nascida em Tuscumbia, Alabama, em 27 de junho de 1880 Helen Adams Keller foi escritora, conferencista e ativista social estadunidense. Filha do Capitão Arthur Keller Henley e Kate Adams Keller, nasceu com visão e audição plena.

Helen foi uma mulher extraordinária e um dos maiores exemplos de que as deficiências sensoriais não impedem a obtenção do sucesso. Deficiente, que ficou cega e surda desde tenra idade, devido a uma doença - que os médicos na época chamou de "febre cerebral", enquanto os médicos modernos acho que pode ter sido a escarlatina ou meningite - superou todos os obstáculos, tornando-se uma das mais notáveis personalidades do nosso século.

Tornou-se uma célebre escritora, filósofa e conferencista, uma personagem famosa pelo extenso trabalho que desenvolveu em favor das pessoas portadoras de deficiência. Anne Sullivan foi sua professora, companheira e protetora. A história do encontro entre as duas é contada na peça The Miracle Worker, de William Gibson, que virou o filme O Milagre de Anne Sullivan, em 1962, dirigido por Arthur Penn.

Em 1904 graduou-se bacharel em filosofia pelo Radcliffe College, instituição que a agraciou com o prêmio Destaque a Aluno, no aniversário de cinquenta anos de sua formatura. Falava os idiomas francês, latim e alemão. Ao longo da vida foi agraciada com títulos e diplomas honorários de diversas instituições, como a universidade de Harvard e universidades da Escócia, Alemanha, Índia e África do Sul. Em 1952 foi nomeada Cavaleiro da Legião de Honra da França. Foi condecorada com a Ordem do Cruzeiro do Sul, no Brasil, com a do Tesouro Sagrado, no Japão, dentre outras. Foi membro honorário de várias sociedades científicas e organizações filantrópicas nos cinco continentes.

Em 1902 estreou na literatura publicando sua autobiografia A História da Minha Vida. Depois iniciou a carreira no jornalismo, escrevendo artigos no Ladies Home Journal. A partir de então não parou de escrever.

Através de suas viagens Helen e Anne, procurou uma nova maneira de viver através de suas conferências e vendendo suas obras de literatura. Em 1918, a demanda por suas obras tinha caído, mas elas continuaram a viagem com mais interesse. Mostrando as coisas surpreendentes Helen, compreendeu o significado da palavra "água". Naquele ano, Helen, Anne e John (o marido de Ana), mudaram-se para Forest Hill, em Nova York. Helen usou seu novo lar como o local para a angariação de fundos para a Fundação Americana para os Cegos.

Helen Faleceu em, Westport, também nos Estados Unidos em 1º de junho de 1968.

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Saiba mais

A última aventura, em andamento, do ciclista e ambientalista brasileiro, José Geraldo de Souza Castro, o Zé do Pedal, foi mais planejada que as anteriores, inclusive na busca de um patrocinador para seu veículo. Encontrou-o na Holanda. Por isso, na última semana de abril de 2008, o ciclista viajou até a cidade de Ekron, naquele país onde foi recepcionado pelos funcionários da BERG Toys, www.bergtoys.com, fabricante do Kart a pedal a ser usado em seu novo e mais ousado projeto. O Pedal Kart, especialmente preparado para a viagem foi baseado no modelo BERG X-plorer X-treme é equipado com pneus de alta durabilidade, aro em polietileno, transmissão de corrente blindado, barra de torção, quadro em aço, freio a disco nas duas rodas traseiras, 7 marchas, farol, assento anatômico, Santo Antônio, sistema anti-furto, lanternas de LEAD, teto solar, espelhos retrovisores, e odômetro.

No dia 1º de maio daquele ano, uma quarta-feira, seguiu direto para Paris, com a finalidade de conferir os últimos detalhes de sua partida. Tudo pronto, exatamente às 11 horas (local) do dia 10 do mesmo mês, da Avenida Joseph Bouvard, no Campo de Mars, a 100 metros da Torre Eiffel, ele dava início a sua aventura rumo á África do Sul. O objetivo principal da viagem é divulgar junto à comunidade internacional a campanha mundial do Lions Clube Internacional, "sigth first" (Visão Primeira), de combate à catarata e glaucoma. Compromisso que vem cumprindo a cada quilômetro de sua jornada.

Depois de uma semana de viagem, chegou à cidade medieval de Chauvigny (século XI), no Estado (departament) de Vienne. Ali, percebeu que o tempo marca o compasso de quem acredita que a distância se vence pela disposição em caminhar. No seu caso, pedalar. Seguiu caminho. Depois de percorrer quase 800 quilômetros, em 17 dias, chegou a Mont de Marsan, Sul da França. O maior problema encontrado até então, foram as constantes chuvas e o vento gelado. "A ultima semana choveu bastante e quando paro a noite para descansar a roupa está toda molhada o que aumenta consideravelmente o frio”, reclamou.

A próxima etapa. Subir os Pirineus, uma cadeia de montanhas que separa a França da Espanha e Andorra. Tudo transcorreu tranqüilo. Depois de percorrer 1835 quilômetros (950 na Espanha), desde que saiu de Paris, o ambientalista chegou em Portugal, precisamente em Valença do Minho, cidade histórica daquele País. Dali seguiu viagem ao longo do Vale do Rio Minho. Ainda em Portugal, José dirigiu-se a Vila Viçosa, de onde seguiu em direção ao Sul de Portugal e Espanha e, de lá, atravessou o estreito de Gibraltar em um barco e desembarcou no Marrocos, já em terras africanas, depois de receber várias homenagens no continente europeu e cumprir sua promessa de fazer o caminho de Santiago de Compostela.

Na África, a parte inicial mais difícil da viagem foi no Deserto do Saara. Após cruzar o Tropico de Câncer, Zé do Pedal encontrou pela frente, além de cobras venenosas, escorpiões e um sol abrasador, as temíveis minas terrestres que estão espalhadas nas areias do deserto até a fronteira do Marrocos com a Mauritânia. Foi uma semana muito difícil e tensa… ”saber que não podia sair do asfalto para nada chegava a assustar e até mesmo estressar um pouco”, comentou. Por sorte, com as cautelas e precauções tomadas, nada grave aconteceu e ele finalmente completou a primeira etapa da viagem, chegando a Dakar, no Senegal. De Paris a Dakar, em oito meses, foram 6.500 quilômetros percorridos. em exatas 1.140 horas de viagem. De Dakar, o ciclista segue em direção ao Mali. Enfrentando temperaturas superiores a 42 graus, finalmente chega a Bamako, capital daquele País.

Malária

Quase no final do mês de junho de 2009, após atravessar Burkina Faso e Costa do Marfim, Zé do Pedal chega em Gana. Desde que entrou no litoral, pela Costa do Marfim, choveu torrencialmente. Não estavam em seu roteiro as constantes chuvas tropicais e vendavais. Pior… não imaginava ser picado pelas temidas fêmeas do mosquito do gênero Anopheles e ser a nova vitima da Malaria. O ciclista começou a sentir os sintomas da Malaria e imediatamente iniciou o tratamento e ficou hospedado em um hotel na cidade de Tema, em repouso absoluto. Zé definiu assim esta passagem: “Na verdade não sei em qual momento contrai a doença. Na sexta feira (19 de junho) participei do auxílio às vitimas da enchente na localidade de Malan. Cheguei a pensar que as dores no corpo e na cabeça eram devido a prolongada exposição na chuva. Porém, quando estava caminhando, senti o corpo mole. Dei uns passos em direção a um lugar para sentar e perdi os sentidos. Ao recobrar-me, e com a certeza de haver contraído a doença, procurei auxilio médico imediato. O diagnostico indicou que eu estava infectado com o parasita Plasmodium falciparum, o mais letal dos agentes que causam a malária, considerando-se as quatro espécies que infectam o homem”.

Zé do Pedal permaneceu em Gana até o final daquele mês, se recuperando, e seguiu em direção a Lome, capital do Togo. Depois, atravessou Benin e chegou à cidade de Lagos, na Nigéria, completando a segunda etapa de sua viagem. A terceira etapa, Lagos/Luanda (Angola), também transcorreu sem maiores problemas.

Última etapa

No último dia 22 de janeiro, começou a quarta e ultima etapa da viagem rumo à África do Sul. O brasileiro saiu de Luanda rumo à África do Sul, dando início à última parte do percurso de Paris a Joanesburgo, uma distância de aproximadamente 3.500km. Ali, completava 13.500km percorridos, desde sua saída de Paris.

Faltam menos de dois meses para a bola começar a rolar na primeira Copa do Mundo de Futebol a ser realizada na África. Apesar de ter chegado a Windhoek, capital da Namíbia, em fevereiro, Zé do Pedal permaneceu no País até o início do mês passado (abril), descansando, já que o último percurso foi bem cansativo devido ao forte calor, às montanhas de Angola e às constantes subidas das estradas da Namíbia. No descanso, convidado por amigos, sobrevoou, em um paramotor,as gigantescas dunas do deserto da Namíbia, e as colônias de Flamingos e Focas do litoral namibiano.

Dos 17 mil quilômetros previstos, quinze mil já foram percorridos: Neles França, Espanha, Portugal, Marrocos, Saara Ocidental, Mauritânia, Senegal, Mali, Burkina Faso, Costa do Marfim, Gana, Togo, Benin, Nigéria, Camarões, Gabão, Congo, Republica Democrática do Congo, Angola, e finalmente, Namíbia, ficaram para trás. Agora na África do Sul, a concretização do sonho do aventureiro está apenas a novecentos quilômetros.

Mais nobre que assistir a Copa do Mundo é o outro grande objetivo da viagem: chamar a atenção da comunidade internacional sobre a Catarata e o Glaucoma, dois dos maiores problemas que afetam a visão das crianças no mundo inteiro, principalmente nos países mais pobres e, mais, conseguir fundos para a grande campanha do Lions Clube Internacional: O programa Sigth First (Visão Primeiro).

Zé fez a sua parte, a resposta do mundo o futuro dirá.