Deputado Camilo leva caso da brasileira morta na Guiana ao Senado Federal

Brasília, 20/05/2008 - As Comissões de Direitos Humanos e Legislação Participativa e de Relações Exteriores e Defesa Nacional do Senado Federal vão realizar audiência pública para tratar do caso da brasileira morta dia 19 de abril, na fronteira com a Guiana, quando era deportada pela polícia francesa. A audiência pública no Senado foi acertada nesta terça-feira, 20, pelo deputado estadual Camilo Capiberibe (PSB/AP), presidente da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Assembléia Legislativa do Amapá, com o senador Paulo Paim (PT/RS), presidente da Comissão de Direitos Humanos do Senado.

“Além de tratarmos deste caso específico, que até hoje não teve uma investigação satisfatória, precisamos debater e traçar uma política pública para as regiões fronteiriças. Os brasileiros atravessam a fronteira para a Guiana, vão a trabalho, casam-se, têm filhos e vivem lá. Perdem sua relação com o Brasil, mesmo sendo ilegais na Guiana. Os dois governos, o brasileiro e o francês, precisam de uma política para tratar essa população que está perigosamente ameaçada desde a posse do novo presidente francês”, preocupa-se o deputado Camilo Capiberibe.

Brasileiros - Para o socialista, a repercussão que houve até agora não foi suficiente para sensibilizar as autoridades brasileiras para agirem com rapidez, já que o tratamento é de descaso. “Este caso repercutiu, ficou conhecido, mas casos iguais a esse são constantes. É uma população muito vulnerável por que são ilegais. Toda esta situação precisa ganhar visibilidade para que aqueles brasileiros não sejam mais agredidos, mesmo em situação ilegal na Guiana. Buscamos o apoio do Congresso Nacional por que nem a Assembléia, nem o governo do estado, tem poder suficiente para tratar disso sozinhos, tamanha é a gravidade da situação ”, afirma, o socialista, que já levantou a denúncia da agressão aos brasileiros que vivem e trabalham nos garimpos clandestinos da Guiana na Assembléia do Amapá.

Deverão ser convidados para a audiência pública o Ministério das Relações Exteriores, a Polícia Federal, o esposo da brasileira morta na fronteira, um representante do governo francês e o deputado Camilo Capiberibe.

Tortura e morte - A brasileira Nerize Dias de Oliveira, 36 anos, foi morta na Guiana Francesa, dia 19 de abril, quando era deportada para o Brasil. Segundo seu marido, Nerize foi jogada no rio Maná pela polícia francesa que, além disso, não retornou a embarcação e proibiu qualquer ação dos demais brasileiros que estavam sendo deportados para socorrê-la. Segundo a polícia francesa, Nerize teria caído na água em uma manobra da embarcação. Seu corpo foi encontrado no dia 26, pelo esposo da vítima, que fez o resgate por conta própria, depois das repetidas negativas da polícia francesa em fazê-lo. No laudo pos mortem, que sequer foi entregue pelas autoridades francesas à família, não consta a causa da morte da brasileira, enterrada na Guiana. Nerize tinha um corte profundo na cabeça, indicando que, provavelmente, foi atingida pela hélice do barco que deportava os brasileiros.

Na ação que resultou na expulsão dos brasileiros e na morte de Nerize, a polícia francesa entrou num acampamento de garimpeiros, na Guiana Francesa e queimou todos os suprimentos. Só três dias depois - período durante o qual os brasileiros ficaram sem comida ou qualquer tipo de suprimento - voltou para buscá-los e deportá-los. Foi quando Nerize morreu.