O "nosso" oligarca e a imigração
Por Nezimar Borges

Ao longo do tempo, a imigração está entre os fenômenos geográficos estatísticos de deslocamentos dos famintos por um lugar decente ao sol. A seguir para onde lhe pode proporcionar uma melhor qualidade de vida e, enquanto houver grandes discrepâncias com desníveis sociais elevados haverá sempre e principalmente em lugares de maior pobreza, o fenômeno da emigração.

Há de se destacar que a prosperidade de outros estados é mais um fator atrativo por uma maior contingência de pessoas por uma oportunidade de trabalho, especialmente naqueles estados mais pobres. Mas há de se destacar, também, o artigo de hoje do oligarca maranhense para o pragmático jornal a Folha de São Paulo em que discorre sobre o tema imigratório em diversas partes do mundo, e, sem mencionar as catástrofes ocorridas neste mundo capitalista e sua mão de ferro ditatorial em obstruir anseios dos mais pobres por mais oportunidades de vida. Assim, criminalizando com leis o que é intrínseco a pobreza, criminalizando a pobreza, criminalizando movimentos sociais e criminalizando quem é contra o "desenvolvimento" das grandes corporações. De outras formas criminalizando a vida.

Como sempre em seus transcritos, esquiva-se a falar das causas de todos os problemas deste mundo. Ele sabe que em políticas socialistas, o contrário ocorreria. Nestas a grande massa de pobres não almeja emigrar, quem se desloca de um lugar a outro são as oligarquias, as quais no socialismo não têm lugar e acabam, eles sim, emigrando.

Veja o que vem acontecendo na Venezuela. Enquanto os pobres deste mundo procuram um lugar decente para sobreviver, lá, na Venezuela são as oligarquias que procuram um lugar ao sol a sobreviver. Isto posto, apesar de toda a sabotagem econômica dos mais ricos daquele país, proporcionando o esvaziamento dos supermercados e com isso tentam atingir as mudanças em
curso. Seria cômico não fosse tão trágico o que acontece com os mais precisados deste mundo e, indubitavelmente, o que vêm acontecendo com a espécie humana: degradação ambiental, desigualdades sociais, concentração de renda, fome, destruição e guerras. Há de se mencionar que o acentuado ciclo imigratório em países ricos é conseqüência, assim como a fome no mundo, de políticas de "apartheid" social promovidas pelas esferas capitalistas, os quais nestes últimos meses têm-se acentuado devido a crise que este sistema atroz vêm sofrendo com as constantes "bolhas" inflacionárias sobre os alimentos.

Há de se fazer uma análise sobre um dos fatores que contribuem decisivamente para o fenômeno da imigração em países ricos: a crise inflacionária que se abateu sobre os alimentos, especialmente nos países mais pobres. Nesses, a pouco mais de duas décadas anteriores, a lavoura, em sua maioria, composta por pequenos agricultores que cultivam a terra quase sempre para a sua subsistência, ou, quando o era para abastecer o mercado interno. Assim o mercado interno se auto-regulava e se auto-sustentava. Mas de uns tempos as grandes empresas, especialmente as que trabalham com trangênicos (sementes modificadas), alteraram a sistemática de produção agrícola.

Primeiro, atuam através de "lobby" junto aos políticos locais a implementar leis sobre a legalização dos trangênicos - sementes modificadas.

Segundo, por serem gigantes do capital, essas empresas pressionam os pequenos agricultores para adquirir seus produtos. A "tentação" sobre os pequenos é grande, pois a produção com essa tecnologia aumenta consideravelmente chegando a ter um aumento, na maioria das vezes, de 30% sobre a produção convencional orgânica, principalmente por serem os vegetais mais resistentes às intempéries de pragas. Além de serem insistentemente protegidas pelas tecnologias especiais de agrotóxicos dessas grandes empresas. Agrotóxicos esses altamente nocivos à saúde dos seres humanos. Estudos já apontam a justificar a grande incidência de casos de câncer nos últimos em diversas partes do mundo.

Terceiro e o mais preocupante. Os pequenos ficam a mercê, literalmente, nas mãos das grandes empresas, pois como se sabe as sementes desses trangênicos não servem para o re-plantio, pois de suas sementes não germinam vida. E todo ano têm de fazer nova compra dessas sementes tecnológicas, além de todo o aparato coadjuvante a esses trangênicos como os inseticidas e agrotóxicos.

Com isso encarecem sua produção e o que é mais grave: a produção é destinada aos grandes centros urbanos do mundo, pois nesses os preços são mais elevados, ocasionando a máxima, o lucro, sobretudo e sobre todos, deixando as populações pobres locais às constantes especulativas, aumentos. Pois nesses locais a demanda cresce e os preços idem, causando como se sabe crises em vários países. E o Brasil é também atingido principalmente no que os brasileiros mais gostam: os cereais, principalmente os grãos de feijão com os preços aumentando nos últimos meses.

Portanto, quanto se vê o MST - Movimento dos Sem Terra invadir propriedades e depredar, como aconteceu em anos atrás a maior empresa do mundo de trangênicos, a americana MONSANTO, têm que se ver essa ação não pelo olhar midiática da TV Globo e sim vê a defesa do ser humano que é a sua e é a nossa própria defesa. Uma causa justa. Contra a exploração e contra a fome no mundo.

Por finalizar, o oligarca maranhense, esquiva-se mais uma vez de mencionar o estado com maior índice de emigração do Brasil nestes últimos quarenta anos - o estado do Maranhão. Por que será?

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