Trânsito violento em Porto Grande mobiliza lideranças políticas

 

Sem nenhuma sinalização para orientar trânsito e moradores dos bairros do município de Porto Grande localizados às margens da BR 210, os acidentes começam a virar uma triste rotina na vida dessas pessoas.

O perigo é crescente, sobretudo porque a rodovia, também conhecida como Perimetral Norte, trecho bifurcado com outra estrada federal, a BR 156, divide ao meio o mapa da cidade. A ausência de placas, redutores de velocidade, faixas ou semáforos estimula os maus motoristas a imprimirem mais velocidade em seus veículos, o que aumenta os riscos de atropelamentos e colisões na área urbana.

Porto Grande, a 112 quilômetros de Macapá, tem uma população estimada em 14,5 mil habitantes, espalhados numa área de 4.402 quilômetros quadrados. Com o advento das grandes mineradores que se instalaram na região a partir de 2005, o município registrou relativo crescimento populacional e o surgimento de novas ocupações.

Após o arrefecimento da atividade mineradora, observada desde 2008, algumas famílias recém-estabelecidas migraram para outras cidades. Contudo, a explosão demográfica mapeada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) manteve-se em patamar oscilante.

Vidas em perigo

Em fevereiro passado, centenas de portograndenses reuniram-se em frente ao prédio da Prefeitura Municipal, onde realizaram manifestação em defesa da vida. Depois, portando faixas e cartazes seguiram em caminhada até um trecho da BR 210, considerado por todos o mais crítico, e protegidos por barricadas obstruíram o fluxo do trânsito por mais de uma hora, o que resultou em quase dez quilômetros de engarrafamento.

O crescente número de atropelamentos, vitimando principalmente crianças e idosos, persuadiu o vereador Alderi Varela dos Santos (PMDB-Porto Grande/AP) a entrar em contato com lideranças políticas estaduais em busca de solução para o problema. A primeira foi a deputada federal Fátima Pelaes (PMDB) que, cientificada da situação, imediatamente procurou o senador Gilvam Borges (PMDB) com quem manteve longa conversa sobre as precárias condições da BR 210, trecho que atravessa Porto Grande.

Drama comprovado

No final de junho, os dois políticos visitaram o município e comprovaram que sem nenhuma sinalização os motoristas se sentem livres para aumentar a velocidade dos veículos mesmo que estejam dirigindo em área urbana. “Não há nenhum respeito pelas pessoas”, lamentou Fátima Pelaes. De acordo com a deputada federal, a rodovia sequer tem acostamento, o que obriga as pessoas a disputarem o minguado espaço com carros pesados, como carretas por exemplo.

“O problema esta na falta de sinalização, de redutores de velocidade e de vias de acesso para pedestres, elementos que deveriam ser básicos para uma estrada onde transitam pessoas”, assinalou a parlamentar amapaense. Há duas semanas, Fátima Pelaes esteve pessoalmente no Departamento Nacional de Infra-estrutura de Transportes (DNIT), em Brasília, onde protocolou Indicação N° 6459/2010 identificando, item a item, as mazelas sofridas pela população portograndense.

Medidas emergenciais

Segundo o relatório do Núcleo de Registro de Acidentes, Estatísticas e Medicina rodoviária, do 4° Distrito Regional de Polícia Rodoviária, o número de acidentes de trânsito em Porto Grande é altíssimo. Alderi Varela, que esteve à frente da primeira manifestação, garante que se não houver nenhuma ação por parte dos governos estadual e federal pretende coordenar outras manifestação, dessa vez com obstrução do trânsito mais prolongada. “Nosso objetivo é chamar a atenção das autoridades. Se nas próximas semanas nada acontecer, uma nova paralisação já foi marcada para o próximo dia 26, dessa vez com previsão de durar das 8 às 18 horas”, desabafou Varela.

No entendimento de Fátima Pelaes, a adoção dessa medida não será necessária. “Na tentativa de solucionar este problema de forma definitiva, na terça-feira [8 de junho] estivemos, juntamente com o vereador Alderi e o senador Gilvan, em uma reunião com o diretor do DNIT, que imediatamente determinou à superintendência regional no Amapá que adote medidas emergenciais para que a vida dessa população não seja mais colocada em risco”, finalizou a deputada.

 

 

Texto: Emanoel Reis (FENAJ 1.380-DRT/PA)