Silvio Assis identifcado em grampo da PF
Folha do Amapá

O empresário amapaense Silvio Barbosa de Assis, acaba de ser identificado pelo jornal Folha de São Paulo como uma das pessoas que aparecem nas gravações dos telefonemas de Genival Inácio da Silva, o Vavá, irmão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Genival está sendo acusado de atuar em negociatas, inclusive tentando conseguir financiamento junto ao BNDS, no mesmo esquema descoberto pela operação Xeque Mate da Polícia Federal através de grampos telefônicos.

Segundo a Folha, na edição de hoje, na transcrição do diálogo - a PF não identificou Assis, localizado depois pelo Jornal- Vavá diz ao interlocutor (Silvio) que "o cara vai estar na Câmara dos Deputados, o “Marcos’”, e que “amanhã está indo o Paulo e o Vágner conversar com ele". Pela transcrição, Vavá pede ao interlocutor para ligar para Marcos.

Procurado pela Folha de São Paulo Assis disse não conhecer nenhuma das pessoas citadas pelo irmão de Lula. "Essa pessoa [Marcos], acho que queria alguma orientação sobre uma coisa jurídica, e estava na Câmara, era de São Paulo, estava de passagem". O empresário afirmou que nunca procurou ou recebeu as pessoas citadas por Vavá nem recebeu pedido de dinheiro.

Na matéria do jornalista Ranier Bragon o jornal lembra que o ex-empresário amapaense está na lista de indiciados pelo relatório final da CPI do Narcotráfico, de 2000, sob suspeita de "liderar o narcotráfico" no Amapá .

Silvio Assis foi um dos homens mais influentes do Amapá até a passagem da CPI do Narcotráfico. Era proprietário de um jornal impresso e mantinha fortes relações de amizade com quase todas as autoridades do estado, entre elas o senador José Sarney (PMDB) e o senador Gilvan Borges(PMDB).

A relação suspeita de Silvio Assis com Vavá já havia sido denunciada pela revista Veja em 2006. O irmão do presidente teria sido contatado pelo escritório de Assis para agilizar junto ao Governo Federal o pagamento de uma divida de R$ 600 milhões que a Federação Brasileira de Hospitais alega ter a receber do governo. Vavá teria sido apresentado a Silvio Assis pelo empresário do ramo da construção civil Galeb Baufaker Júnior.

Eduardo de Oliveira, presidente da federação, afirmou que um escritório contratado em Brasília para representar os interesses da federação conseguiu o contato com Vavá. Segundo ele, a federação não concorda com o parcelamento da dívida em dez anos, por causa da crise dos hospitais.

Um dos donos do escritório contratado pela federação, Sílvio de Assis, disse que conheceu Baufaker Júnior "em uma roda de amigos". Ao revelar o caso do cliente, o empresário do ramo da construção teria se oferecido para ajudar, revelando que era amigo de Vavá.

O irmão de Lula foi levado a Brasília por Baufaker Júnior para interceder no Planalto em nome da federação. O empresário teria pago as passagens de avião e levou Vavá para jantar sem dar ou receber nada em troca da ”ajuda”. Para Baufaker estão pegando Genivaldo para Cristo.

No Amapá o empresário Silas Assis, primo de Silvio Assis, mantêm a atuação da família no ramo da comunicação. Silas e proprietário do jornal A Gazeta e até pouco tempo dirigia a TV Gazeta, repetidora da Rede Record. A emissora foi inaugurada em 2006 pelo presidente Lula, a convite do senador José Sarney.