Cartilha orienta o manejo florestal para produção de frutos de andiroba

A grande procura das indústrias de cosméticos e de medicamentos pelo óleo da andiroba (Carapa guianensis Aubl.) abre perspectivas para a geração de renda nas comunidades ribeirinhas do Arquipélago do Bailique, município de Macapá, e das áreas de várzeas no município de Mazagão. Nas duas localidades, milhares de ribeirinhos que podem ser orientados a fazer um extrativismo sustentável deste produto florestal. A idéia é que tirem o sustento da floresta e, ao mesmo tempo, conservem a rica diversidade de espécies de plantas da Amazônia.

Pensando nisso, o Instituto de Pesquisas Científicas e Tecnológicas do Estado do Amapá (IEPA) publicou uma cartilha que mostra como fazer o manejo florestal para dinamizar a produção de frutos de andiroba e de outros produtos florestais de valor econômico encontrados no Amapá. O conteúdo foi produzido pelo engenheiro florestal José Antônio Leite de Queiroz, da Embrapa Amapá. A publicação faz parte do Projeto Aproveitamento Sustentável da Andiroba no Estado do Amapá - uma parceria do Ministério do Meio Ambiente e Governo do Estado - e tem como público-alvo os participantes de cursos de técnicos em manejo florestal para produção de frutos. Também é utilizada para treinamentos de ribeirinhos que se dedicam à coleta dos frutos e extração do óleo da andiroba.

A andirobeira é utilizada em larga escala pelas populações ribeirinhas do Amapá e tem uma grande importância socioeconômica para estas comunidades.

O principal produto comercializado é a madeira, para construção civil, enquanto o óleo extraído das amêndoas (de forma artesanal) tem funções terapêuticas e, por isso, boas perspectivas de mercado. "A principal utilização das sementes está voltada para extração (artesanal e industrial) do óleo, gerando produtos como sabonetes, cápsulas medicinais, velas e repelentes", disse Antônio Leite.

Durante a pesquisa para elaborar a publicação, o engenheiro florestal constatou que é variável a quantidade de sementes de andiroba por árvore e de óleo para cada quilo de semente coletado. Uma família do Igarapé Fortaleza, próximo a Macapá, disse-lhe que a produção anual de sementes chega a oscilar de 10 até 100 quilos, dependendo da idade da árvore e da robustez da copa. Outra informação repassada pela família é que um quilo de sementes rende 100 ml de óleo, ou seja, aproveitamento de 10%. Já na extração industrial o rendimento sobre para 30%.

MANEJO FLORESTAL - Antônio Leite lembra ao extrativista que o primeiro passo para se fazer o manejo da andirobeira é procurar o órgão responsável pela emissão de autorização desta atividade. Porém, atualmente a competência para autorização de manejo florestal no Amapá está em fase de transição, já que esta responsabilidade deverá ser transferida do Ibama para o Governo do Estado, via Secretaria Estadual de Meio Ambiente (Sema).

Outra observação importante é aplicar corretamente o conceito de manejo florestal, previsto no Decreto nº 1.282, de 1995, que regulamenta a exploração das florestas da Bacia Amazônica e deixa claro que, para ser sustentável, o manejo tem que ser economicamente viável, ecologicamente correto e socialmente justo. "Entrar na floresta para explorar palmito, derrubar algumas árvores e roçar alguns arbustos não significa que a pessoa está manejando a floresta. Manejar o ambiente florestal é combinar as diversas espécies florestais de uma mesma área, dando pequena prioridade às andirobeiras, utilizando técnicas florestais e consciência ecológica", explicou Leite. Todos os procedimentos necessários para se fazer o manejo florestal para frutos de andiroba e de outros produtos florestais do Amapá, além da lista dos equipamentos indispensáveis, estão detalhados na publicação. Há exemplares da cartilha para consulta nas bibliotecas da Embrapa Amapá e do IEPa.

Dulcivânia Freitas