Deficientes visuais do Amapá receberão Bíblia em braile

Deficientes visuais do Amapá agora terão acesso à Bíblia Sagrada em Braile. A iniciativa é da Divisão de Educação Especial (Dieesp) da Secretaria de Estado da Educação (Seed). A entrega dos livros vai ocorrer no dia 28 deste mês no auditório da secretaria, com a presença de inúmeras autoridades civis e eclesiáticas.

Quatro entidades serão beneficiadas com as bíblias: Biblioteca Pública Elcy Lacerda (que já recebeu os livros), Diocese de Macapá. Associação de Cegos e Amblíopes do Amapá (Acaap) e Centro de Apoio Pedagógico ao Deficiente Visual. Além dessas entidades, todas as escolas da rede pública estadual receberão a partir do dia 28 as cartilhas "Todos chamados à inclusão", produzidas pela Seed em parceria com a Diocese de Macapá.

Em 38 volumes e um guia de leitura, a coletânea irá proporcionar aos deficientes visuais do Brasil acesso a todos os textos do Velho e do Novo Testamento. Segundo o IBGE, são 11 milhões de deficientes visuais no Brasil, sendo desses 160 mil portadores de cegueira total.

Disposta numa prateleira de biblioteca, os livros correspondem a uma extensão de quase dois metros e meio. As bíblias foram adquiridas pela Dieesp da Sociedade Bíblica do Brasil (SBB), única instituição que se dedica a esse tipo de publicação para deficientes no País.

De acordo com a professora Alice da Costa Oliveira, chefe da Dieesp, a importância desse ato é trazer ao cenário político brasileiro uma iniciativa de grande relevância social. "Esse é o primeiro passo. Um gesto simbólico. Trazer à comunidade dos deficientes visuais o livro mais importante, numa linguagem que eles possam compreender".

Ela também afirmou que esse fato é fundamental e representa a democratização do conhecimento, pois material em braile é muito difícil de produzir. "Vamos trabalhar para que um dia todas as escolas públicas municipais e estaduais possam, cada uma, conseguir seu exemplar da Bíblia em braile".

Dados da exclusão - Segundo estimativa da Organização Mundial de Saúde, 1% da população do Brasil é formada por deficientes visuais, ou seja, 1,7 milhão de pessoas. No entanto, dados do último Censo demográfico do ano 2000 apontam para números diferentes. De acordo com o estudo realizado pelo IBGE, há 11,8 milhões de brasileiros com deficiência visual, dos quais cerca de 160 mil possuem incapacidade total de enxergar.

O deficiente visual enfrenta inúmeros obstáculos em seu processo de inclusão na sociedade, sendo para eles ainda mais difícil o acesso à informação, educação, cultura e ao mercado de trabalho. Entre os fatores de exclusão social do deficiente visual, destaca-se a reduzida oferta de literatura em braile, que é o sistema de escrita e leitura que se adeqüa às suas necessidades.

O método braile - Conhecida também com a "escrita a branco", o braile há mais de 150 anos se constituiu na linguagem para ler e escrever utilizada pelas pessoas com deficiência visual em todo o mundo. Criado em 1825 pelo francês Louis Braille - que na época tinha pouco mais de 15 anos - o método foi apresentado por ele quatro anos depois. Nascido na pequena aldeia francesa de Coupvray, em 1809, Braille tem uma história inspiradora e admirável: um acidente tornou-o aos três anos de idade incapaz de enxergar. Logo se adaptou à nova realidade e, para acompanhar as aulas e fixar as matérias, o menino decorava e recitava as lições.

Em 1819, aos dez anos, ávido por conhecimento, consegue uma bolsa de estudos e ingressa no Instituto para Jovens Cegos de Paris. Lá começa a aprender a ler por meio da impressão de textos em papel, que permitia dar relevo às letras. Embora possibilitasse a leitura, na hora de escrever o método tornava-se impróprio. Diante das dificuldades o jovem passou a pesquisar novos sistemas e se interessou por um criado pelo capitão Charles Barbier de La Serre, também baseado em relevo, conhecido como "escrita noturna", usada para transmissão e leitura de mensagens secretas militares, durante a noite. A partir daí, Louis Braille foi aperfeiçoando o método e, em 1829 publicou o primeiro manual detalhando o seu próprio sistema de leitura, conhecido mundialmente como "Método Braille". Em 1852, Louis Braille morre deixando um importantíssimo legado.

O braile é empregado por extenso ou de forma abreviada, adotando-se códigos especiais de abreviaturas para cada língua ou grupo lingüístico. É aplicado à estenografia, à música e às notações científicas em geral, através do aproveitamento das 63 combinações. Além disso, uma de suas principais vantagens é possibilitar que o deficiente visual escreva com mais facilidade, com o auxílio da reglete e do punção.

Mais informações

Professora Alice Oliveira - Chefe da Dieesp

3212 5147 e 8112 6955

Renivaldo Costa