Reunião na Embrapa Amapá discute meteorologia e mudanças climáticas

Embora o resultado mais conhecido da meteorologia seja a previsão do tempo divulgada nos telejornais, esta área do conhecimento também gera informações importantes para as pesquisas com energia renovável, uma demanda que aumenta diante da ameaça de escassez do petróleo até 2050. Uma boa oportunidade para entender melhor este assunto é a II Reunião Climática no Estado do Amapá, na próxima segunda-feira, 18, das 14h às 18 horas, no auditório da Embrapa Amapá. O evento traz a Macapá o doutor em Meteorologia Everaldo Sousa, coordenador da Rede Estadual de Meteorologia e Recursos Hídricos do Pará e professor da Universidade Federal do Pará. O acesso é gratuito e aberto a todos que tenham interesse no assunto.

A reunião na Embrapa Amapá é mais uma atividade da Rede Estadual de Meteorologia e Recursos Hídricos do Amapá, que está sendo estruturada com recursos da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), empresa vinculada ao Ministério da Ciência e Tecnologia, através de projeto apresentado pelo Instituto de Pesquisas Científicas e Tecnológicas do Estado do Amapá
(Iepa). O investimento da Finep na Rede é de R$ 367 mil.

Na região Norte foram contemplados projetos para estruturação de serviços de meteorologia e recursos hídricos, os Estados do Amapá, Amazonas e Pará.
No Amapá, a Rede está em fase de implementação dos comitês gestor e científico, compra de equipamentos e licitação para construção de um laboratório que vai funcionar na Incubadora do Instituto de Pesquisas Científicas e Tecnológicas do Amapá (Iepa).

De acordo com Alan Cavalcante da Cunha, pesquisador do Iepa e coordenador da Rede Estadual de Meteorologia e Recursos Hídricos do Amapá, parte dos recursos liberados pela Finep será utilizada na compra e instalação de uma estação agrometeorológica na foz do Rio Amazonas, Ilha do Parazinho, onde funciona uma Estação Ecológica gerenciada pela Secretaria Estadual de Meio Ambiente (Sema). "Teremos a mais moderna e completa estação meteorológica do Amapá, com uma torre de 30 metros. Além disso, vamos adquirir uma rede de computadores com softwares avançados para simulação e previsão do clima, tempo, e também para armazenar dados climatológicos, hidrometeorológicos e ambientais com imagens de satélite", acrescentou Alan Cunha.

A rede de computadores também servirá para fazer modelagem e simulação numérica a fim de avaliar cenários futuros relativos a mudanças climáticas globais, alteração dos ciclos hidrológicos e mudanças sensíveis dos funcionamento dos ciclos biogeoquímicos dos ecossistemas da Amazônia.

A Rede Estadual de Meteorologia e Recursos Hídricos do Amapá é formada pelo Iepa, Embrapa Amapá, Instituto Euvaldo Lodi - vinculado à Federação das Indústrias do Amapá (Fiap) -, Secretaria Estadual de Meio Ambiente (Sema), Universidade Federal do Amapá (Unifap) e Corpo de Bombeiros, através da Defesa Civil Estadual. Outras instituições, públicas e privadas, podem se tornar parceiras também. Basta oficializar o interesse à coordenação da Rede.

De acordo com o pesquisador da Embrapa Amapá, Raimundo Pinheiro, a relação da meteorologia com a agricultura está no aumento da produtividade das plantas e dos animais. "Os conhecimentos agrometeorológicos geram dados para a agricultura e para se fazer o controle dos ambientes onde os animais são criados ou adaptando as raças às condições do clima de cada região", explicou Pinheiro.

Como parte do investimento da Embrapa na atividade, em agosto deste ano será instalada uma estação meteorológica automática no Campo Experimental do Mazagão. O equipamento contém coletores de chuva, de vento, de temperatura e da umidade relativa do ar. Inicialmente vai funcionar paralelamente à estação que já existe naquela área de experimentos.

Dulcivânia Freitas