Retroativos serão pagos com o salário deste mês


Com a desistência do governo federal em rodar uma folha suplementar, os retroativos do reajuste de 800 mil servidores civis serão quitados, em parcela única, dentro do contracheque deste mês, que é pago em 2 de julho. A União avaliou que não valeria a pena ter o custo de uma folha adicional, já que a deste mês deverá ser fechada na próxima semana.

A inclusão dos novos valores nos salários já havia sido garantida, o que facilita os cálculos dos atrasados. Para a maioria das categorias, a retroatividade vai até março deste ano. O abandono do projeto da folha suplementar foi comunicado aos sindicatos pelo secretário de Recursos Humanos do Ministério do Planejamento, Duvanier Paiva Ferreira.

Ainda que por eliminação, a novela do pagamento dos reajustes parece estar chegando ao fim. Mas a cena final não é a que os sindicatos queriam. Eles reclamam que boa parte do contracheque deste mês, que terá ainda a primeira metade do 13º salário, vai ser levada pelo Imposto de Renda. “É um desrespeito com os servidores públicos. Como se não bastassem os baixos reajustes que a grande maioria terá em 2008, enfrentamos a demora para receber e ainda vão levar boa parte em impostos”, criticou Josemilton Costa, secretário-geral da Condsef (Confederação dos Trabalhadores no Serviço Público Federal).

Enquanto a ansiedade de boa parte do funcionalismo federal está prestes a terminar, outros 300 mil servidores continuam negociando reajustes. Quem está próximo de um acordo são os inativos e pensionistas da PM e Bombeiros do antigo Distrito Federal, que estão pedindo um abono de R$ 300 a partir do salário de julho, pago em agosto, beneficiando 17 mil pessoas. Representantes do setor foram recebidos ontem por técnicos do Planejamento, que vão repassar a reivindicação ao secretário Duvanier Ferreira e ao ministro Paulo Bernardo. A decisão caberá a eles.

Mas a situação é bem diferente no caso dos civis das Forças Armadas. A nova proposta de reajuste salarial foi rejeitada. A categoria pede a intervenção do ministro da Defesa, Nelson Jobim. “Ele fez isso pelos militares e o governo deu R$ 4 bilhões para o reajuste deles. Para nós, só há R$ 100 milhões”, queixou-se Luís Cláudio de Santana, presidente do Sinfa (Sindicato dos Servidores Civis das Forças Armadas).