Deputado do PSB diz que senador Sarney não tem moral para repudiar censura

O senador José Sarney (PMDB) aprovou recentemente pedido para que o presidente da Venezuela, Hugo Chavez, revisse sua decisão de cancelar a concessão da Radio Caracas Televisión (RCTV). Chavez promoveu o cancelamento da concessão em virtude da RCTV ter se aliado à tentativa de golpe de estado contra o presidente. No dia 11 de abril de 2002, quando Chávez foi deposto do poder por dois dias, a RCTV teria se recusado a cobrir a revolta do povo venezuelano que exigia o seu retorno.

Camilo Capiberibe, favorável à Moção de Repúdio contra as críticas de Chavez ao Congresso brasileiro proposta pelo deputado Dalto Martins (PMDB) sustentou que "ainda que eu considere a RCTV uma emissora golpista e mentirosa, defendo o direito de funcionamento do veículo de comunicação. O presidente Hugo Chavez tendo a feroz e irracional oposição da RCTV sempre ganhou eleições e referendos, não precisaria ter fechado o canal de televisão por ter mentido ao povo".
Capiberibe disse no entanto que o Senado da República, no caso Renan estaria dando razões de sobra para todo tipo de crítica, e se as críticas de submissão aos Estados Unidos eram improcedentes o mesmo não se poderia dizer de críticas quanto a seriedade da investigação que ora atinge o senador Renan Calheiros.

O deputado estadual do PSB disse, por outro lado, que o senador Sarney não pode se arvorar em defensor da liberdade de expressão por ter sido líder da ditadura militar. Por isso, sustentou Capiberibe, Sarney não possuiria autoridade moral para repudiar a censura. Além disso, no ano de 2006 ele perseguiu de maneira implacável blogs e sites jornalísticos bem como jornalistas amapaenses que noticiavam informações contrárias ao senador maranhense.

Os jornalistas Humberto Moreira, Corrêa Neto e Alcinéa Cavalcante bem como o jornal Folha do Amapá foram os principais alvos da ira do senador do Maranhão durante a campanha eleitoral de 2006. “Quem liderou a ditadura militar, perseguiu jornalistas e atentou contra blogs e sites usando advogados de sua coligação durante as eleições passadas não tem autoridade moral para repudiar os atos do presidente Chávez", finalizou.

Raul Mareco