Testemunha confirma abuso de autoridade na prisão do professor Pedro Jamaica


Macapá, 21/06/07 - O professor Marivaldo Saraiva da Silva compareceu na tarde desta quarta-feira (20), no Plenário da Assembléia Legislativa do Amapá, a convite da Comissão de Direitos Humanos (CDH), presidida pelo deputado Camilo Capiberibe (PSB), para prestar esclarecimentos a respeito do suposto crime de tortura ao colega de profissão Pedro Jorge Silva Barbosa, o Pedro “Jamaica”, que acusa o diretor da Escola de Jarilândia, à época Antônio Diogo Matos, e os policiais militares Teixeira, Gledson e Evandro de serem os co-idealizadores da agressão.

Durante uma hora e meia, Marivaldo confirmou aos parlamentares Camilo Capiberibe, Paulo José (PR), Ruy Smith (PSB) e Jorge Salomão (DEM), que presenciou o momento em que Pedro “Jamaica” foi detido pelos policias, inclusive confirmando que houve abuso de poder e agressão desnecessária, afirmando também que recebeu ameaça. “Nós estávamos no refeitório quando os policiais chegaram para prender o Pedro. Foi tão rápido que eles já o algemaram, jogaram o professor ao chão, e o levaram aos empurrões. Eu havia perguntado qual era o motivo da prisão, e o PM Evandro ameaçou que se eu não me calasse eu ia preso também. ‘Cala tua boca senão tu vai preso’”.
“Jamaica” não reagiu à prisão, tampouco agrediu verbal ou fisicamente os policiais, segundo reportou Marivaldo. “Eu somente presenciei que o Pedro foi preso dessa forma: algemado e jogado ao chão, e em nenhum momento ele agrediu o policial. Ele ficou surpreso que a PM chegou rapidamente”.

A Derrota - o professor Marivaldo afirmou que teria tomado conhecimento depois da prisão do professor que Pedro “Jamaica” e o então diretor Antônio Diogo haviam tido problemas anteriores. O governador Waldez Góes em visita a Jarilândia, teria sido constrangido pelo professor Pedro Jamaica que cobrou promessas de campanha. Segundo Marivaldo, Pedro “desrespeitou o diretor que o devolveu para a Secretaria de Educação, mas o Pedro acionou a justiça e conseguiu que voltar a dar aulas lá. Ou seja, a prisão foi uma desforra entre os dois”. O vice-presidente da CDH, deputado Paulo José, questionou Marivaldo se o diretor Antônio Diogo foi o principal mandante da suposta tortura a “Jamaica”. “Por conta da animosidade existente e a ‘derrota’ do diretor, o senhor acha que havia intenção dele (Antônio Diogo) em articular junto aos PM’s para prejudicar o professor?” Marivaldo respondeu que “não que ele tivesse me falado, pois nunca demonstrou isso. Agora, o professor pedro Jamaica tinha receio e dizia sentir que havia algo por trás de tudo”.

Costelas quebradas - o laudo apresentado a CDH pela Polícia Técnica apontou que o professor Pedro“Jamaica” sofreu a quebra de duas costelas. Perguntado se os PM’s, ao usar a força mencionada na oitiva, exageraram no ato da prisão de Pedro ao ponto de causar danos graves ao seu corpo, Marivaldo enfaticamente disse “com certeza. Ele foi jogado ao chão, como falei, e para quem pesa em torno de 80kg, do jeito que ele caiu no chão, sim. Não deram chance de defesa a ele”.

O deputado socialista Camilo Capiberibe questionou a respeito da ordem de prisão. “O senhor acha que a prisão foi ordenada pelo diretor?” “Eles só podem ter atendido a uma ordem do diretor, porque lá não havia mais nenhuma autoridade superior”, respondeu Marivaldo.

O transporte - Capiberibe quis saber ainda se Marivaldo presenciou a ida do professor Pedro junto com os policiais militares até o município de Vitória do Jarí, distante três horas de “voadeira”, de Jarilândia. “Eu não vi. Fiquei até surpreso quando levantei e todo mundo estava nervoso, triste no colégio. Perguntei a dona Raimunda que trabalha na escola, e ela disse que ‘o senhor precisava ver como foi o professor Jamaica. O Diogo e os PM’s o levaram para Vitória para resolver a bronca de ontem’. Ela disse que ele foi algemado e jogado na ‘voadeira’, sem camisa, só um cidadão lá que emprestou uma camisa a ele. Todas as pessoas que estavam lá viram quando ele vinha sendo transportado”.

População acreditaria em Pedro - o professor Marivaldo, ao responder sobre se ouviu algum pedido de socorro de “Jamaica”, ao ser levado para a “cela” e durante ter sofrido a suposta tortura, também afirmou que a maioria dos moradores de Jarilândia apóia Pedro. “Eu só ouvi o Pedro gritar: ‘não pode fazer isso, esta prisão é ilegal’. Mas, o que se comenta é que ele gritava muito. Entre 10 pessoas da comunidade, 09 se colocaram favoráveis ao professor, afirmando que a prisão foi injusta. A maioria das pessoas que trabalhava no colégio se mostrou a favor do Pedro”.

O parlamentar Capiberibe, presidente da CDH, finalizou argumentando que “temos indícios contundentes de agressão e arbitrariedade na prisão do professor Pedro, e se necessário for, iremos até Jarilândia para confirmar as informações. A nossa intenção é buscar a verdade, a Comissão não tem a tarefa de ajudar nem atrapalhar ambos os lados, e sim garantir os direitos humanos. E se existem denúncias, esta Comissão não pode se omitir”.

Raul Mareco