Embrapa Amapá e Escola Família do Carvão assinam convênio de estágio

O chefe geral da Embrapa Amapá, Newton de Lucena Costa, e o diretor da Escola Família Agroextrativista do Carvão, município de Mazagão, Tomé de Souza Belo, assinam um convênio de concessão de estágio de complementação educacional, nesta segunda-feira, 25, a partir das 9 horas, no auditório da Embrapa Amapá.

O convênio vai permitir que os alunos de ensino médio, do curso de técnico em Agroextrativismo, Recursos e Produtos Florestais, possam estagiar na Embrapa Amapá. Pesquisadores, técnicos agrícolas, professores e alunos participarão da cerimônia. A Embrapa Amapá mantém convênios semelhantes com a Escola Família Agrícola do Pacuí (município de Macapá), Universidade Federal do Amapá (Unifap), Ceap, Fama, Seama, Universidade Federal Rural da Amazônia (Ufra), Universidade Federal de Viçosa (MG) e Escola Agrotécnica de Castanhal (PA).

As Escolas Famílias do Amapá seguem um modelo de educação no campo surgido na França pouco antes da Segunda Guerra Mundial. Localizadas em áreas produtivas estratégicas do Estado, as cinco escolas atendem atualmente cerca de 750 alunos que serão formados em técnicos agrícolas, através de ensino fundamental e médio.

Desde o início dos anos 90 as escolas famílias contam com a contribuição da Embrapa Amapá nas atividades curriculares, através de estágios, treinamento em laboratórios e visitas técnicas, cursos ministrados por pesquisadores e técnicos da instituição de pesquisa. Nas escolas famílias, tudo é adaptado para atender as necessidades das comunidades agrícolas, desde o calendário do ano letivo, passando pela definição dos conteúdos, ambiente das aulas e perfil dos professores.

Como o aluno faz parte de um universo escolar identificado com seu mundo real, ele adquire e aplica conhecimento técnico em agropecuária ou extrativismo utilizando os próprios recursos naturais, a experiência e a cultura do lugar onde vive. Outro diferencial é que os familiares destes
alunos, a grande maioria agricultores, são envolvidos nesta dinâmica de ensino e aprendizagem. Isso é possível porque numa escola família, o aluno fica em regime de semi-internato, são 15 dias na escola aprendendo e trocando conhecimentos com os professores e, em seguida, passa a outra quinzena em casa, repassando o que aprendeu à sua família.

O diretor da Escola Família do Carvão Tomé de Souza Belo, 71 anos, é um homem com muitas histórias de luta pela defesa dos direitos do homem do campo e sempre atento às oportunidades de melhorias no meio rural. "Acho importante a parceria com a Embrapa porque valorizo a pesquisa científica. É uma coisa importante para o nosso estado", disse Tomé, também presidente da Rede das Associações das Escolas Famílias do Estado do Amapá (Raefap). "A escola do Carvão começou a funcionar em 1997, e no segundo ano já tivemos atividades da Embrapa. O pesquisador Emanuel Cavalcante (supervisor do Campo Experimental de Mazagão) foi o nosso primeiro parceiro e desde sempre podemos contar com ele", afirmou o diretor da Escola do Carvão.

O pesquisador Rogério Alves recorda que a parceria com as escolas famílias teve início em 1992, quando foi feita uma visita à Escola do Pacuí. "As escolas famílias também funcionam como canal de transferência de tecnologias da Embrapa, porque o público é de pessoas que vão receber um diploma de técnicos agrícolas e vão aplicar os conhecimentos, na maioria das vezes, na propriedade da própria família", ressaltou o pesquisador.