Nelson Motta

O discurso e a peruca

Imagino o espanto, as gargalhadas ou a piedade de algum amigo estrangeiro se eu lhe mostrasse uma galeria de fotos do atual Senado. Sarney, Renan, Cafeteira, Gim, Gilvam, Cabeleira, Almeidinha, Agaciel, uma turma de meter medo. Ele poderia pensar que era um elenco de procurados.

O que é esse Gazineo, com sua peruca circense? Nenhum preconceito contra os sem-cabelo, mas nenhuma careca pode ser mais feia ou ridícula do que aquilo. Vejam o exemplo do Zé Dirceu: os fios justificam os meios. Será que o plano de saúde do Senado não paga implantes? Se não, edita-se um ato secreto e institui-se a bolsa-cabeleira. A peruca do Gazineo é uma metáfora do Senado e do discurso de Sarney: tentando encobrir o incobrível, acaba revelando-o ainda mais escandaloso.

E o poderoso Agaciel e seu olhar delubiano? Quem daria a chave do seu carro para alguém com aquela pinta estacioná-lo? Quem compraria dele um carro usado, ou mesmo zero? Oscar Wilde dizia que só os tolos se enganam com as aparências. O Senado lhe dá toda a razão. Olhem os senadores. Não é porque são velhos ou feios, carecas ou barrigudos, nada disso é defeito, são coisas da vida e do tempo, que, às vezes, combinadas com inteligência, humor e caráter, resultam em belas figuras humanas. No Senado, resultaram em figuras grotescas que refletem a sua feiura interior.