Lançamento do Congresso Nacional de Feijão-Caupi em Belém



O feijão-caupi, aquele da receita do baião-de-dois e de outras delícias culinárias, brevemente vai cair na boca do povo de outra forma. De 24 a 28 de agosto próximo, no Pará, haverá um congresso nacional de grande porte, o II Congresso Nacional de Feijão-caupi (Conac), que levará a Belém especialistas de diversas áreas para debaterem sobre o sistema produtivo do grão e tudo o que diz respeito à sua cadeia produtiva.

Para lançar oficialmente o II Conac, a Embrapa Amazônia Oriental (Belém/PA) promove na capital paraense, nesta quarta-feira (24), um evento especial, para convidados e imprensa, seguido de coquetel contendo salgadinhos feitos com feijão-caupi. O lançamento tem início às 16 horas, na Federação da Agricultura e Pecuária do Pará (Faepa), em Belém.

PESQUISA PREMIADA - O trabalho de pesquisa que há décadas possibilita a inovação nesse segmento da agricultura é cada vez mais reconhecido. Em 2009, o prêmio "Frederico de Menezes Veiga" foi concedido ao pesquisador Francisco Rodrigues Freire Filho, da Embrapa Meio-Norte (Teresina/PI), por seu trabalho desde 1975 com melhoramento genético de feijão-caupi que resultou no lançamento de 13 cultivares no período de 1991 a 2008.

Francisco Freire também é responsável pela reorganização e fortalecimento da rede de melhoramento genético de feijão-caupi, que hoje ultrapassa as fronteiras da região Nordeste, indo desde o estado de Roraima até Mato Grosso do Sul e de Pernambuco até Rondônia. Com os resultados dessas ações, a Embrapa Meio-Norte passou a ser referência nacional em feijão-caupi. Em contato com o pesquisador da Embrapa Amapá, Emanuel Cavalcante, que atua no melhoramento de feijão-caupi para o estado do Amapá, Francisco Freire disse que reconhece o mérito de todas as equipes das várias unidades da Embrapa, que dedicam-se aos trabalhos do programa de melhoramento genético do feijão-caupi. No caso do Amapá, por exemplo, Cavalcante disse que o trabalho já rendeu, nos últimos oito anos, três novas cultivares de feijão-caupi lançadas pela Embrapa Amapá.

Primeiro, a cultivar Amapá, em 2000, depois a BRS Mazagão em 2001 e em 2008 a cultivar BRS Tumucumaque. "Esta última tem um grão maior, em comparação às outras duas variedades, é de porte ereto e perfeitamente apropriada para cultivo tanto na agricultura familiar como empresarial. O comércio hoje pede grão mais branco e maiores", observa Emanuel Cavalcante. Os três materiais (Amapá, Mazagão e Tumucumaque) são originários da Embrapa Meio Norte, já melhorados, e foram avaliados no Amapá, os aspectos de resistência a doenças e pragas tolerantes à ferrugem.

AVANÇOS - Não é à toa que o tema do II Conac é "Da agricultura de subsistência ao agronegócio". Até pouco tempo atrás, a cultura do feijão-caupi era explorada no Brasil quase que exclusivamente por agricultores familiares, em padrões tradicionais, e tinha um mercado restrito. Agora, nota-se um aumento da expressão econômica do feijão-caupi, as áreas cultivadas se ampliam do Norte e Nordeste para outras regiões brasileiras, exportações se intensificam, agricultores empresariais são atraídos para a esfera do feijão-caupi com a segurança proporcionada por avanços científicos e tecnológicos que possibilitam, inclusive, a mecanização da colheita conforme a variedade de grão utilizada como semente.

O que antes só se podia fazer manualmente, a exemplo da estafante colheita que obriga o agricultor a ficar numa posição inclinada que "quebra-cadeira", como bem diz o nome popular de uma antiga variedade desse grão no Pará, hoje já se pode fazer de forma rápida e mecanizada, (como permite o porte semi-ereto da planta da cultivar BRS Novaera, lançada pela Embrapa no Pará em 2007), com benefícios tanto aos agricultores familiares quanto empresariais.

SEGURANÇA ALIMENTAR - O feijão-caupi, também conhecido por feijão-macassar ou feijão-de-corda, é considerado uma das fontes alimentares mais importantes e estratégicas para as regiões tropicais e subtropicais do mundo. Pesquisas revelam que o grão dessa leguminosa é uma fonte importante de proteínas, aminoácidos, fibras dietéticas e energia.


Consulte programação completa do II Conac e outras informações sobre o congresso no site: http://conac.cpatu.embrapa.br


Texto: Izabel Drulla Brandão (Embrapa Amazônia Oriental) Dulcivânia
Freitas (Embrapa Amapá)
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Dulcivânia Freitas