A FOTOGRAFIA NÃO É O RETRATO
Édi Prado - 16.06.07

Essa nossa língua portuguesa é do jeitinho brasileiro. E é cheia de normas, regras e deve ser aprovada pelo Congresso Nacional, para validar e oficializar a nossa língua portuguesa brasileira. Uns mais xenófobos e apressados querem abolir a denominação Língua Portuguesa e carimbar na capa do Aurelião, o então dicionário oficial do País, Língua Brasileira. Legal. E quando eu for ao shopping, depois de degustar um hot dog, não precisarei ir ao toalete, nem usar o hall de entrada. Ronaldo Cunha Lima, num texto enviado pelo amigo Tabajara, do IBGE, nos lembra de algumas expressões tão usuais e incorporadas ao nosso idioma, que nem nos damos conta que somos poliglotas: abajur, chofer e butique; laquê, bisturi, filé; bureau, buquê, boné e purê. Na área esportiva temos o futebol, tênis, basquetebol, vôlei, golfe, surfe, handebol e por aí afora.

No setor comercial temos: joint venture, o franchising, o leasing, o open market, over night , cash, fob, cif, trust, dumping, lockout, royalties, made in Brazil, hot money, copyright e o lobby, entre milhares de outras expressões estrangeiras. E como ninguém é de ferro, podemos ouvir jazz, o swing, reggae, rock, twist, rap, funk e a música country. Até o Falcão, nosso irreverente cantor, de forma cômica e irônica, dá ênfase ao inglês em suas letras, cantando: I´m not dog no (eu não sou cachorro, não!). Mas o brega não está classificado nesta categoria. Brega é coisa de paraense e com muito orgulho.

Na informática, a moda agora é site, mouse, byte, home page, shift, chip, e-mail, on line, software, game, afora os neologismos como deletar, formatar, navegar e clicar.

Hoje em dia, é esnobe, chique e VIP (very important person) usar palavras inglesas. Até as casas comerciais estão preferindo as denominações estrangeiras, mesmo que os produtos à venda sejam nacionais. No interior do Nordeste, um restaurante (e restaurante é nome francês), cuja especialidade é carne assada com macaxeira, adotou o nome de Steak Grill. No Igarapé das Mulheres, tem o Açaí House, que na linguagem bem regional quer dizer massadeira de açaí. Não é nem amassadeira. É massadeira, mesmo.

Essas palavras estrangeiras soam bem aos ouvidos de quem não precisa entender o que o outro está falando. E aí mora o perigo. As pessoas confirmam sentenças sem terem cometido crime algum. Um jornalista recém formado em Macapá, perguntou se eu tenho direito a cela especial, por ter curso superior. Sem compreender direito a intenção da pergunta, respondi me defendendo: Eu tenho direito à liberdade, não a cela especial, cela simples, cela mista. A cela nenhuma. Quem tem direito a cela são ladrões, pessoas perigosas, animais ferozes. Eu, não.

Surpreso e tentando se desculpar, como se limpa calça branca com as mãos sujas de graxa , balbuciou: Você entendeu o que eu disse? Entendi, respondi seco. Você perguntou se eu tenho direito a cela especial. E eu respondo que tenho direito a liberdade incondicional, total e permanente. Não tenho nada a ver com cela. E ele mais impaciente e irritado comentou: Não era isso que eu queria dizer... E antes que falasse mais besteira, interrompi. Se querias é porque não queres mais . E antes de você querer, correr risco de se arrepender e não ser compreendido, porque não elaboras a pergunta como você quer que as pessoas te compreendam?

E termino dizendo I´m not dog no, que no pior do cancionário popular, quer dizer: eu não sou cachorro, não. Chegamos à conclusão que o bom mesmo é falar ingreis, porque portugueis nós já sabe.